sábado, 13 de outubro de 2012

Se o Sr. Presidente diz isto não há muito a fazer


Há muito tempo que não escrevia aqui, há mais de um ano. O Sócrates emigrou para Paris e eu tenho dado tempo de actuação a este governo antes de começar a fazer balanços (embora confesse que tinha esperança de por esta altura ter um saldo mais positivo). Mas hoje ao ver esta declaração de Sua Excelência o Sr. Presidente da República Portuguesa, do nosso Chefe de Estado, não contive este desabafo.

Este pensamento que o nosso ilustre Presidente partilhou connosco na sua página de facebook só é possível porque o nosso Cavaco não falava do dinheiro dele, falava do dinheiro que é de nós todos e por isso mesmo de ninguém. Foi esta maneira de pensar que fez com que desde o 25/4, em menos de 40 anos, a nossa Dívida Pública cavalgasse de menos de 15% do PIB para o valor actual que, não tendo agora comigo o valor exacto, já será superior a 100% do PIB!

Nenhuma pessoa, nenhuma família, deverá gostar de ter dívidas aos bancos ou a quem quer que seja. Não sei se será o caso da família do Sr. Presidente, mas não é o caso da minha. Quando falamos do nosso próprio dinheiro todos estão de acordo, todos conseguem perceber que não se deve ter dívidas porque ninguém gosta de viver com dívidas, principalmente quando elas atingem valores astronómicos para o orçamento familiar. Contudo quando se fala do dinheiro público, daquele que é de todos nós, o respeito que reservamos ao nosso próprio dinheiro pura e simplesmente desaparece. Seja ao nível central ou local, há 38 anos que é normal gastar o que não se tem, que é normal acumular dívida, que é aceitável até, e agora que estamos a sentir na pele as consequências dos nossos disparates e que deveríamos estar a aprender a lição, o nosso Chefe de Estado vem-nos dizer que não é correcto cumprir o défice?!?

Sr. Presidente ter défice, seja de 1% ou 10% ou mais%, significa que continuamos a viver acima das nossas possibilidades e a acumular dívida!! Ou, dito de outra forma, continuamos a engordar a senhora do cartoon de cima. E quanto mais tempo demorarmos a reduzi-lo mais dívida/gordura vamos acumulando! É tão simples quanto isto! E se amanhã ninguém nos emprestasse dinheiro tínhamos que ter já défice de 0% porque, basicamente, tínhamos de viver só com o nosso próprio dinheiro! É tão simples quanto isto! E o Louçã e muitos dos manifs que estão na rua podem dizer à vontade que não é preciso cumprir o défice mas o Sr. Aníbal Cavaco Silva não é um manif no meio da rua, tão pouco é um mero cidadão, é o nosso Chefe de Estado! E, mais grave, até é formado em Economia! E, pior, directa ou indirectamente, tem sido o político com mais responsabilidades nos destinos de Portugal nos últimos 33 anos, desde que foi Ministro das Finanças de Sá Carneiro! Arre, ao fim deste tempo todo e com as responsabilidades que lhe caem em cima o que não é correcto é andar a fazer afirmações destas.

p.s. Isto faz-me temer um hipotético governo de iniciativa presidencial do Cavaco.

sábado, 27 de agosto de 2011

Revisões

1) O Estado português não sabe investir nem poupar o dinheiro que não é seu (mas dos contribuintes). Era importante que de vez em quando nos lembrássemos que o estado é uma espécie de gestor de grandes fortunas, mas com preocupações sociais. Era também importante que nos lembrássemos que este dinheiro foi gasto em coisas importantes e em coisas menos importantes (tal como o novo centro paroquial do Alberto João Jardim ou os estádios para o euro 2004);

2) Não sabendo investir nem poupar, o estado português (à imagem de outros seus parceiros), meteu-se no maior buraco possível (endividamento até os tipos que emprestam o dinheiro se fartarem);

3) Confrontado com isto, o dito estado português preocupa-se com formas de pagar essa dívida (graças a deus, ao menos somos sérios). Compromentendo-se com baixar custos operacionais, o dito estado protege-se primeiro sobre uma capa de aflito e anuncia um novo imposto. É importante lembrar que os estados (todos eles), são as unicas entidades que conseguem criar receitas de forma coerciva. Mas é também importante lembrar que essas receitas não são bem do estado, nem para serem gastas ao desvario;

4) A população em geral de todos os estados afectados exalta-se com isto. Então mas agora há a possibilidade de me tirarem 10 euros ao subsidio de emprego? Deus me livre! Taxem-me é os ricos, esses malandros!

5) Os estados, em geral, ouvem o ponto 4). E vai daí vão lançar um novo imposto. Que até tem a conivência de alguns dos seus potenciais alvos.

Não sou rico (espero). Mas sou um cidadão consciente (acho). Em vez de impostos, qualquer um, a quem quer que seja, secalhar aprendiam a gerir as coias com eficiência. De uma ponta à outra. Reduzam lá o número de deputados, acabem lá com as viagens de avião em primeira classe, extingam os postos de trabalho das 5 secretárias do chefe do gabinete de estudos do ministério da economia que lá estão a mais, reduzam o número de motoristas, acabem com os passes sociais gratuítos para toda a familia dos trabhadores dos transportes públicos. Vendam a RTP e a CGD, se precisam mesmod e receitas. Mas por amor de deus, parem de não tomar as medidas dificeis só porque têm o poder para não o fazer. Não é uma questão de justiça taxar os maiores rendimentos. É uma questão de justiça que vivamos dentro das nossas possibilidades. E se isso implicar o fim de parte do chamado estado social, então que implique. A culpa não é dos "ricos". É dos políticos que o geriram. Se querem lançar impostos extra, têm 35 anos de gente que os deveria pagar.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Decidam-se

Era altura de os senhores do Jugular perceberem que menos "desigualdade" não é, só por si, bom.

Era altura de em Portugal se acabar com esta mentalidade.

Aposto que toda a gente que vive com 500€ nesta terra não se importaria de ver os "ricos" quintuplicar o seu rendimento desde que o seu passasse para 1500€. Toda essa gente se está bem lixando para o facto de Portugal ser mais ou menos "desigual". O verdadeiro valor que conta é o da qualidade de vida e esse deve ser sobretudo avaliado em termos de crescimento económico.

Se todos os potugueses tivessem apenas 20€ éramos todos iguais. E morríamos todos à fome.

domingo, 10 de julho de 2011

Moody's

A coisa resume-se de forma simples: se acham mesmo que os homens estão errados comprem dívida Portuguesa. O retorno excede claramente o normal em investimentos sem risco.

'Bora lá rapaziada!!!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O lado podre da política


Em política todos sabemos - especialmente nos últimos tempos - que o mundo tem a extraordinária capacidade de mudar enquanto o diabo esfrega o olho. O mundo muda e nós vamo-lo acompanhando, mudando também. Mas a política, ou mais honestamente o poder, tem a muito engraçada e nada bonita capacidade de fazer com que homens adultos mudem completamente, tanto que se tornam quase irreconhecíveis aos seus próximos. Basílio Horta é um desses exemplos muito engraçados mas nada bonitos.

Basílio Horta nasceu em 1943 e está a caminho dos 68 anos de idade. Uma idade respeitável já. Para quem não sabe Basílio Horta tem sido um actor do mundo político praticamente desde a revolta de '74. Democrata-cristão, foi, aos 30 anos, um dos fundadores do CDS em 1974. Foi por várias vezes ministro, nomeadamente nos três governos da AD entre 1980 e 1983, primeiro com Sá Carneiro, depois com Francisco Pinto Balsemão. Foi ainda deputado, vice-presidente da Assembleia da República e candidato à Presidência da República em 1991, com 47 anos. Concorreu na altura contra Mário Soares, que se candidatava a um segundo mandato, sendo o único candidato da direita, unicamente apoiado pelo seu partido de sempre, o CDS, visto que na altura o PSD de Cavaco deu o seu apoio a Mário Soares (não deixou de ser irónico visto a relação que depois se desenvolveu e que hoje é sobejamente conhecida). Teve na altura o voto e a confiança de quase 700 mil portugueses verdadeiramente de direita, certamente, tendo em conta que as restantes opções eram da área da esquerda. Basílio Horta permaneceu no CDS por mais 10 anos, até 2001, quando tinha 57 anos.

Hoje em dia Basílio Horta é independente e livre de apoiar quem quiser. Nada contra mas, para quem se continua a afirmar democrata-cristão, tem tomado posições e feito declarações que muita comichão tem feito a quem sempre o apoiou no passado. Em 2005 chega ao poder o nosso Inginheiro preferido e é precisamente desde essa data que o percurso profissional e político do Dr. Basílio Horta se torna engraçado. Logo em 2005 ele torna-se presidente da Agência para o Investimento e permanece presidente quando em 2007 esta se torna na Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. Pode-se dizer que o percurso do Dr. Basílio Horta nesta Agência tem andado a par e passo com o percurso do nosso 1º Inginheiro no cargo de chefe de governo. Neste momento e para quem não sabe Basílio Horta é o cabeça de lista do PS por Leiria, notícia que só apanhou de surpresa os que andam mais distraídos do mundo político.

Tudo isto já era um enorme sapo muito difícil de engolir para a direita que sempre o apoiou mas o Dr. Basílio Horta, para mostrar que mudou mesmo de camisola, deu ontem a entrevista que poderá ser a cereja no topo do bolo. Para o Dr. Basílio Horta, "é bom que o PS não vá para o Governo, pois só assim poderá reorganizar-se e provar que um Governo de direita não é opção para o país." E, digo eu, é melhor que o PS se reorganize rapidamente pois esse Governo de direita que não é opção para o país "não durará mais de seis meses a um ano", opinião do próprio. Confesso que gostava de saber se em 6 meses o PS terá tempo de arranjar uma nova liderança forte e credível ou se o Dr. Basílio Horta acha que nem é preciso e o Zé Sócrates é o homem indicado para concorrer de novo e voltar a comandar os destinos do país (ele deve ser dos que acham que sim). A parte boa desta entrevista é que o Dr. Basílio Horta já reconhece a derrota do PS, a parte má é que confirma que ele é um exemplo vivo do que a política tem de pior. Ele é o lado podre da política.

Para não esquecer na hora do voto...Defender Portugal!

No PSD já cheira a vitória...

...há muito tempo que não se viam todos os ex-líderes do partido (tirando Cavaco e Barroso por razões óbvias) e ex-candidatos a líder a apoiar a mesma pessoa.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Para não esquecer na hora do voto...Desemprego


O desemprego é, no mínimo, o maior dos últimos 80 anos. Em 2010 tínhamos 610 mil desempregados, dos quais 300 mil de longa duração. Actualmente a taxa de desemprego situa-se nos 12,6% - 690 mil desempregados. Se juntarmos as mais de 200 mil pessoas que já desistiram de procurar emprego e que, por isso, não entram nas estatísticas, temos quase 900 mil pessoas desempregadas, o equivalente a uma taxa de desemprego de 15,5%.

Para não esquecer na hora do voto...Dívida Pública


A dívida pública é a maior desde, pelo menos, 1850.

Para não esquecer na hora do voto...Crescimento Económico


Em 2008 a média do crescimento económico era a pior dos últimos 90 anos. Agora já deverá ser a pior desde o séc. XIX.

A família aumentou...

...em quantidade e qualidade. Bem-vinda PSV!

É mesmo à Sócrates!

Ontem o FMI publicou o segundo memorando assinado pelo Ministro das Finanças e pelo Governador do Banco de Portugal. Lá está escrito, preto no branco, que o Governo fará uma redução significativa da taxa social única e que admite o aumento do IVA para compensar. Precisamente aquilo que o 1º Inginheiro andou a atirar, há dias, à cara do Passos Coelho! Ele andou a atirar à cara de outra pessoa aquilo que o seu próprio governo já tinha acordado fazer! Porreiro pah!

Para não esquecer na hora do voto...Parcerias Público-Privadas


Governos PSD/CDS (8) - 8,54% do investimento
Governos PS (80) - 91,46% do investimento
40,18% do investimento nos anos da crise (2008/2009/2010)

terça-feira, 24 de maio de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Hoje Espanha acordou azul


A última noite foi uma noite histórica para o Partido Popular espanhol e uma péssima noite para o melhor amigo europeu do nosso 1º ministro. Os populares conseguiram importantes vitórias em históricos bastiões socialistas como as comunidades autónomas de Castilla-La Mancha e Extremadura. Também a cidade de Barcelona escapou pela primeira vez aos socialistas e foi ganha pelos nacionalistas catalães que se deverão agora aliar aos populares. Esperemos que daqui a duas semanas Portugal também tenhas bons motivos para celebrar.

1ª Nota: Em Espanha, tal como em muitos outros países, não é nenhum bicho de 7 cabeças o governo ser entregue a quem consegue negociar uma maioria na câmara, mesmo que tal aliança não inclua o partido mais votado. É até o que deverá acontecer no governo autónomo da Extremadura onde o PP ficou a um deputado da maioria absoluta e os socialistas se deverão aliar aos comunistas, obtendo essa maioria. Eu que costumo acompanhar já há alguns anos as eleições de nuestros hermanos já vi isto a acontecer algumas vezes, sem causar o alarido que um hipotético caso semelhante a acontecer em Portugal tem causado.

2ª Nota: Os acampamentos que se montaram nos últimos dias por praças e pracetas de Espanha traduzidos em votos/vontade popular não valem nada. Os media dão-lhes manifestamente mais importância do que aquela que, de facto, têm. Agora é altura de acabar com o circo e retomar a normalidade.