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terça-feira, 28 de setembro de 2010

"Sócrates e Teixeira dos Santos são incompetentes!"

Algures em Fevereiro deste ano, Sócrates disse que ia cortar na despesa e não aumentaria impostos. Ora, o que fez Sócrates desde essa declaração? Aumentou os impostos em Maio, e prepara-se para fazer um segundo aumento da carga fiscal. Cortar na despesa? Nem pensar. Isso deve ser "neoliberalismo". Por pura incompetência e por pura cobardia (cortar na despesa implica tocar em eleitores tradicionais do PS, e implica tocar nos boys do PS), o governo é incapaz de meter na ordem os ministérios, os institutos, as câmaras, as empresas públicas, etc. Quem é que paga este despesismo pornográfico dos boys e da função pública? Claro, o idiota do contribuinte. As idiotas das empresas já estão com a corda na garganta. As idiotas das pessoas que trabalham-mais-para-ganhar-mais, mas que nunca vêem a cor desse dinheiro extra, porque a máquina fiscal não deixa. "Para quê trabalhar mais?" é um desabafo que se ouve por aí.

João Cantiga Esteves (ISEG) tem razão, ou seja, um novo aumento de impostos significa apenas uma coisa: Sócrates e Teixeira dos Santos são incompetentes.
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Neoliberais: os novos fascistas

Os tiques esquerdistas deste santo país conseguem produzir este milagre da lógica: a despesa do estado aumentou 6%, mas só se discute a ousadia "neoliberal" do PSD. De facto, este regime (que vai do Largo do Rato às redacções) tem problemas com a realidade. Este regime e o seu "ar do tempo" não conseguem lidar com os factos. E os factos são estes: a despesa não pára de aumentar. E era suposto estarmos a combater a despesa. Mas, curiosamente, não se fala deste assunto. Apenas se fala das propostas ousadas do PSD. Porquê? Ora, porque são "neoliberais" ou "ultraliberais". É notável como esta língua-de-trapo ideológica consegue desviar a atenção da realidade.

Os jornalistas e analistas não olham para o facto (despesa incontrolável do Estado) e só olham para as propostas do PSD, que visam, lá está, atacar de frente essa despesa do Estado. Bem ou mal, Passos teve a coragem de apontar o dedo para a realidade. Mas, ná, isso é "neoliberal" ou "suicídio eleitoral". Moral da estória: o PSD devia estar quietinho, o PSD não devia dizer nada sobre a realidade, o PSD devia ficar à espera de que o poder lhe caísse nas mãos, para depois não ter a autoridade para mexer no statu quo através de medidas neo-ultra-liberais. Notável raciocínio. O facto de este raciocínio conduzir o país à falência e ao FMI não parece incomodar esta boa gente.

É certo e sabido: neste momento, quem aponta para a realidade (a insustentabilidade das despesas do Estado, desde a administração ao "social") é acusado de "neoliberal" , uma reactualização do "fascista" do PREC.

Com a verdade nos enganam!


O título pode parecer contraditório mas daqui a umas linhas fará todo o sentido. Há poucos dias, estava eu a navegar pelo facebook, quando me deparei com um post de um membro da JS que anunciava que a dívida de Portugal ao exterior tinha caído, no segundo trimestre do ano, cerca de 3.6 mil milhões de euros, uma quebra recorde de 1.9%! A dada altura até se falava em forte capacidade de recuperação. Para os mais distraídos isto será estupendo e, assim sendo, parece que o Zézito Sócrates até está a fazer um bom trabalho e não faz sentido nenhum o alarmismo todo que continua a haver em relação ao nosso país. Contudo continua a haver esse mesmo alarmismo, sendo sinal de que afinal as coisas não estão assim tão bem como à primeira vista aquele comentário pode fazer parecer. E se há coisa que Portugal não mostra, de todo, é uma forte capacidade de recuperação. Ora vamos lá ver o que ficou por dizer.

É verdade que a dívida externa recuou no segundo trimestre deste ano? Sim, é verdade, mas o que ficou por dizer é que esse recuo deu-se porque o Estado está a financiar-se menos no exterior e a aumentar o financiamento interno. Se formos olhar para a dívida pública total, essa, continua a aumentar descontroladamente! Aliás, o descontrolo é tanto que entre os países com os quais nos costumamos comparar, devido às respectivas situações (Espanha, Irlanda e Grécia), Portugal é o único que ainda não está a conseguir diminuir a sua despesa! Até a Grécia o está a conseguir fazer! Ainda no domingo que passou o Prof. Marcelo lembrou alguns números que denunciam esta perigosa situação. Em relação ao déficit de Janeiro a Agosto deste ano, comparado com igual período do ano passado, a Grécia baixou 32%, a Espanha 41%, a Irlanda 35% e Portugal aumentou 7,4%. Em relação à despesa total do Estado, a Espanha baixou 2,5%, a Grécia 10,9%, a Irlanda 19,3% e Portugal aumentou 2,7%!


E todos sabem que esta situação não se inverte porque o Governo não quer fazer o que é necessário. E até já todos sabem o que é preciso fazer só que isso não dá votos, nem popularidade. É mais fácil aumentar os impostos a todos do que começar a cortar nas despesas e, pelas notícias dos últimos dias, parece que o Governo continua a apostar, mais uma vez, no aumento do IVA. Por cá quando se começa a falar em cortar (e não em congelar) salários ou em cortar os 13º e 14º mês, cuidado que vêm aí os neoliberias! Já alguém reparou que de todos os chamados PIGS, Portugal é o único que ainda não cortou nos salários da função pública? Aqui ao lado, em Espanha, o grande amigo do Zé Sócrates também já cortou nos salários e não consta que ele seja um perigoso neoliberal. Na Irlanda os cortes chegam até aos 10% e mesmo 13% em alguns casos! Cá por terras lusas basta os polícias fazerem uma manifestação que são logo promovidos, como aconteceu recentemente! Com esta maneira de actuar, facilmente se percebe por que é que a despesa pública portuguesa continua a aumentar e não a diminuir, ao contrário do que já está a acontecer nos restantes países. Basicamente o Zé Sócrates não está a fazer absolutamente nada para corrigir a nossa situação e está, verdadeiramente, a marimbar-se para nós! (Ou como ele disse ainda a semana passada: Há muito tempo para falar da dívida!) Esta frase foi a cereja no topo do bolo! Só faltou dizer para não o maçarem com estas coisas! Ele faz de nós uns autênticos parvos e o pior é que há quem vá atrás!


E, por fim, chegamos à parte da forte capacidade de recuperação. Não consigo ver de que recuperação é que se poderia estar a falar. Da portuguesa não seria de certeza já que Portugal vai continuar a ser dos países europeus com crescimento económico mais anacrónico. Daqui a mais 3 ou 4 anos até vamos ver outro país do leste europeu a ultrapassar-nos! A República Checa, desta vez. E isto tira qualquer português do sério! A mim, pelo menos, tirou-me, quando vi aquele comentário altamente enganador.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Golden Share para Totós


Imaginemos que eu tenho uma empresa, qualquer empresa, não interessa de quê. Imaginemos que detenho 99% das acções dessa mesma empresa, ou para não haver qualquer dúvida, 99% da empresa é minha. Imaginemos que o Estado, essa grande porca gigante que a tudo se impõe, detém os restantes 1% e que, por qualquer motivo, tem a tal Golden Share. Imaginemos que me fazem uma proposta irrecusável de compra da minha empresa, assim tipo quase o valor total da minha empresa mas por apenas parte dela, e eu quero vendê-la. Afinal ela é minha, tenho esse direito. Imaginemos que vem depois o Estado e, com o seu 1% de posse da empresa, utiliza a Golden Share e não me deixa vendê-la e, de repente, quem tem 1% da dita empresa manda mais do que quem tem 99% da mesma. Pois, acho que já deu para perceber.

Hoje 74% do capital (representado) da PT quis vender parte da sua empresa - a Vivo. E a Telefónica, que detém uns 10% da PT, nem foi autorizada a votar, senão esse valor seria superior, perto dos 80% talvez (como disse o outro engenheiro é só fazer as contas). E o Estado, que detém apenas 500 acções, valor irrisório no universo das 1400 milhões de acções da PT, chegou e disse: Não!

Eu, se fosse accionista da PT, não estava muito feliz hoje. E com razão.

terça-feira, 13 de abril de 2010

"É uma questão de princípio"

"O Estado coloca-se na posição de ser árbitro e jogador ao mesmo tempo e ninguém acredita que o árbitro, que é jogador ao mesmo tempo, seja justo e imparcial."

É substituir Estado por Cavaco, Sampaio, Soares, ou até um hipotético Alegre, e o Passos Coelho em vez de estar a falar na vantagem do Estado não estar nos negócios, estava a falar na vantagem de se ter um Rei como Chefe de Estado. Uma e outra ideia são simples. E uma "questão de princípio".

sábado, 2 de janeiro de 2010

Somos assim

Portugal é um país ás avessas. Somos assim. Um senhor que a maioria dos escribas deste blog valoriza bastante dizia no outro dia que, quando esteve no governo no pós 25 de Abril, aceitou esse lugar para tentar garantir a manutenção da democracia em Portugal. Sim, Portugal estava mal. Sim, o país precisava que lhe fizessem várias alterações. Mas mais importante do que tudo isso era impedir que caíssemos numa nova ditadura, desta vez de esquerda, e, por isso, esse senhor aceitou o lugar e fez o que achou por bem fazer.
Isto vem a propósito de um facto. 36 anos depois do 25 de Abril, os partidos e os políticos portugueses ainda não sabem viver em democracia. Há algum tempo Manuela Ferreira Leite quase suplicou a suspenção da dita cuja durante 6 meses para pôr o país em ordem. Hoje em dia Sócrates, mais sábio, reclama da falta de disponibilidade da oposição para aprovar as medidas que ele quer ver aprovadas. Neste aspecto ambos são iguais, pequenos ditadores com a sua própria visão para o país que sabem não poder ser alcançada com o acordo da outra parte.
Alguns de vocês poderão discutir a arquitectura do sistema, e se esta nossa veiazinha ditatorial advém ou não daí, mas o que é certo é que ela existe. Também é triste. Portugal está num estado deplorável. Quem passe a Vasco da Gama em direcção a Lisboa verá do seu lado esquerdo, logo a seguir ao parque das nações, um bairro pobre comparável ao de um qualquer país terceiro mundista. Isto, por si só - esquecendo tudo o resto que está mal, esquecendo os riscos, esquecendo o futuro que se percepciona - deveria ser suficiente para levar a todos os acordos possíveis.

O país carece de discussão. Precisa que os "iluminados" tenham coragem para fazerem mais do que criticar. Precisa que se assumam medidas e caminhos alternativos. Precisa de discussão. Precisa que se discorde, é certo, mas apenas para chegar a uma solução abrangente, aceite pela maioria. Veja-se o caso da avaliação de professores. Toda a gente a acha necessária, só se discorda nos moldes. Discutam-se então os modelos e avance-se. Mas avance-se.

Este país corre o risco de parar, porque alguns, no poder, não conseguem mobilizar todos. Os líderes dos dois maiores partidos portugueses já confessaram, explicitamente ou não, que só conseguem governar quando a sua vontade é lei. Talvez por isso nos deixem caminhar inadvertidamente para uma situação em que, anteriormente, o povo exigiu uma ditadura. Talvez esperem assumir esse lugar quando a ocasião surgir.
Estão enganados. Não serão eles. E estes trinta e tal anos pelos quais alguns tanto lutaram correm sérios riscos.

É pena. Mereciamos melhor.