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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Com a verdade nos enganam!


O título pode parecer contraditório mas daqui a umas linhas fará todo o sentido. Há poucos dias, estava eu a navegar pelo facebook, quando me deparei com um post de um membro da JS que anunciava que a dívida de Portugal ao exterior tinha caído, no segundo trimestre do ano, cerca de 3.6 mil milhões de euros, uma quebra recorde de 1.9%! A dada altura até se falava em forte capacidade de recuperação. Para os mais distraídos isto será estupendo e, assim sendo, parece que o Zézito Sócrates até está a fazer um bom trabalho e não faz sentido nenhum o alarmismo todo que continua a haver em relação ao nosso país. Contudo continua a haver esse mesmo alarmismo, sendo sinal de que afinal as coisas não estão assim tão bem como à primeira vista aquele comentário pode fazer parecer. E se há coisa que Portugal não mostra, de todo, é uma forte capacidade de recuperação. Ora vamos lá ver o que ficou por dizer.

É verdade que a dívida externa recuou no segundo trimestre deste ano? Sim, é verdade, mas o que ficou por dizer é que esse recuo deu-se porque o Estado está a financiar-se menos no exterior e a aumentar o financiamento interno. Se formos olhar para a dívida pública total, essa, continua a aumentar descontroladamente! Aliás, o descontrolo é tanto que entre os países com os quais nos costumamos comparar, devido às respectivas situações (Espanha, Irlanda e Grécia), Portugal é o único que ainda não está a conseguir diminuir a sua despesa! Até a Grécia o está a conseguir fazer! Ainda no domingo que passou o Prof. Marcelo lembrou alguns números que denunciam esta perigosa situação. Em relação ao déficit de Janeiro a Agosto deste ano, comparado com igual período do ano passado, a Grécia baixou 32%, a Espanha 41%, a Irlanda 35% e Portugal aumentou 7,4%. Em relação à despesa total do Estado, a Espanha baixou 2,5%, a Grécia 10,9%, a Irlanda 19,3% e Portugal aumentou 2,7%!


E todos sabem que esta situação não se inverte porque o Governo não quer fazer o que é necessário. E até já todos sabem o que é preciso fazer só que isso não dá votos, nem popularidade. É mais fácil aumentar os impostos a todos do que começar a cortar nas despesas e, pelas notícias dos últimos dias, parece que o Governo continua a apostar, mais uma vez, no aumento do IVA. Por cá quando se começa a falar em cortar (e não em congelar) salários ou em cortar os 13º e 14º mês, cuidado que vêm aí os neoliberias! Já alguém reparou que de todos os chamados PIGS, Portugal é o único que ainda não cortou nos salários da função pública? Aqui ao lado, em Espanha, o grande amigo do Zé Sócrates também já cortou nos salários e não consta que ele seja um perigoso neoliberal. Na Irlanda os cortes chegam até aos 10% e mesmo 13% em alguns casos! Cá por terras lusas basta os polícias fazerem uma manifestação que são logo promovidos, como aconteceu recentemente! Com esta maneira de actuar, facilmente se percebe por que é que a despesa pública portuguesa continua a aumentar e não a diminuir, ao contrário do que já está a acontecer nos restantes países. Basicamente o Zé Sócrates não está a fazer absolutamente nada para corrigir a nossa situação e está, verdadeiramente, a marimbar-se para nós! (Ou como ele disse ainda a semana passada: Há muito tempo para falar da dívida!) Esta frase foi a cereja no topo do bolo! Só faltou dizer para não o maçarem com estas coisas! Ele faz de nós uns autênticos parvos e o pior é que há quem vá atrás!


E, por fim, chegamos à parte da forte capacidade de recuperação. Não consigo ver de que recuperação é que se poderia estar a falar. Da portuguesa não seria de certeza já que Portugal vai continuar a ser dos países europeus com crescimento económico mais anacrónico. Daqui a mais 3 ou 4 anos até vamos ver outro país do leste europeu a ultrapassar-nos! A República Checa, desta vez. E isto tira qualquer português do sério! A mim, pelo menos, tirou-me, quando vi aquele comentário altamente enganador.

sábado, 31 de outubro de 2009

O dia depois de amanhã


Este post era para ser um comentário ao post de baixo do Formiga mas já estava a ficar algo para o longo. Vamos então lá dissecar o “bicho” Marcelo e a aparente vaga de fundo.

Para começar Marcelo será (provavelmente) outro erro de casting se vier a ser líder do PSD. É melhor do que Manuela Ferreira Leite? Provavelmente sim. Vence Sócrates? Provavelmente não. O PSD ainda não percebeu que não voltará a vencer eleições enquanto for mais do mesmo. Enquanto continuar a apresentar as caras de sempre, as ideias de sempre. O PSD (ou os seus “barões”) ainda não percebeu que tem mesmo (mesmo) de mudar. Outra coisa que os “barões” do PSD ainda não perceberam é que enquanto estiverem mais empenhados em derrotar Passos Coelho a todo o custo do que em defrontar Sócrates, só ajudam o Passos Coelho e sim, quero dizer com isto que não me admirava muito se Passos Coelho derrotasse Marcelo Rebelo de Sousa em directas (a probabilidade de vitória do primeiro será tanto maior quanto mais desesperadas andarem as diferentes facções a encontrar alguém só com o único propósito de o derrotar).

Marcelo, Rangel, Ferreira Leite, Aguiar-Branco e mais uns quantos, qualquer um serve, qualquer um tem que avançar, para Passos Coelho não ganhar. É preferível que Sócrates ganhe mais uma eleição do que ter lá o Passos Coelho (para eles, para mim não). Sinceramente não percebo este medo todo pelo Passos Coelho. Ainda há uns 2 anos ninguém sabia quem ele era e, verdade seja dita, ele nem sequer teve ainda a oportunidade de mostrar o que vale, enquanto deputado, ministro ou presidente do partido (ao contrário de outros que a tiveram, só fizeram porcaria e já provaram que não são a solução para o PSD). Esta azáfama toda dos “barões” faz-me lembrar a que tiveram contra o Santana Lopes. Mas essa até a consigo perceber um pouco. O “menino-guerreiro” já lá tinha passado, eles não gostaram nem um pouco e havia que impedir que retornasse a todo o custo. Deu mau resultado, mas até consigo perceber. Agora com o Passos Coelho não consigo mesmo. Não o podem propriamente acusar de ter feito um mau trabalho. A única explicação que encontro é de que Passos Coelho é mesmo uma mudança e é isso que os assusta. Uma mudança irá implicar o fim do seu “reinado” pelo partido. É feio de se dizer mas é a verdade nua e crua. Estão mais preocupados com os seus pequenos e grandes tachos do que em derrotar os socialistas (aos quais vão entregando vitórias de mão beijada - incluo nestas vitórias as autárquicas).

Há poucos dias o Henrique Burnay, para o 31 da Armada, recordava a Marcelo Rebelo de Sousa uma grande lição de vida: “…além de não se voltar a um lugar onde se foi feliz, sobretudo não se costuma regressar a um lugar onde se foi infeliz.” Marcelo já se terá esquecido de como foi ou então pensará que desta vez será diferente, mas é mais provável que seja diferente para pior do que para melhor. Além do mais Marcelo devia decidir-se pelo que quer. Ou quer ser Presidente da República ou do PSD e concorrer para 1º Ministro. Ou quer mesmo e avança ou então retira-se e não anda aqui ora a dizer que sim, ora a dizer que não, a ver no que é que isto dá. Agora esta política de que "o que vier à rede é peixe" pode dar mau resultado. Mas isto é apenas a minha opinião e, no fundo, posso estar completamente enganado.

p.s. (De notar que reconhecer que o partido daqui a 5 anos estará nas mãos do Passos Coelho é reconhecer, desde já, que não há grande esperança que o Marcelo derrote o Sócrates. Para mim isso é motivo mais do que suficiente para se partir para outra.)

p.s.2 De notar que muitos dos que mais defenderam que Manuela devia cumprir o mandato até ao fim (completamente de acordo), são os que mais andam a mandar nomes de hipotéticos candidatos para o ar. Seria interessante que os interessados avançassem por si, mas mais uma vez querem ir buscar um nome da "velha guarda" para fazer o "trabalho sujo".

p.s.3 Depois de voltar a ouvir Marcelo fico com a sensação que ele quer mesmo voltar a ser presidente do PSD. Só não quer é ter que ir a votos contra alguém. A unanimidade do partido só se conseguirá pelas bases, em directas. E só será verdadeira se houver mais do que um candidato por onde se escolher. Aparentemente Marcelo não quer isso.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O dia de amanhã

Marcelo Rebelo de Sousa será provavelmente candidato à liderança do PSD (tendo em conta a vaga de fundo que se gera) contra Pedro Passos Coelho. Não tenho dúvida nenhuma de que Marcelo ganhará essa eleição. Dependendo de como as coisas se desenrolem a partir daí, ele poderá ou não ganhar as próximas legislativas contra Sócrates.
Se não ganhar Pedro Passos Coelho será o líder seguinte. Venha quem vier contra ele. E estará legitimado pelas bases para fazer o que bem entender, como bem entender. O PSD estará unido à volta dele, unicamente porque qualquer um que esteja contra terá já sido derrotado vezes sem conta. Bastará colá-lo a Marcelo, a Ferreira Leite, a Santana...
É nestas alturas que eu gostava que alguém me viesse garantir sobre o seu carácter idóneo e sobre as virtudes do seu projecto para o país. Hoje gostava que alguém me convencesse de que Pedro Passos Coelho é D. Sebastião, finalmente retornado.
Isto porque, daqui a 5 anos, ele vai ter o PSD na mão, para reconstruir a seu bel-prazer. E eu acho que já chega de socialismo neste país.

P.S. O facebook passará a significar alguma coisa para mim no dia em que se conseguir fazer uma petição gigante para que Portugal deixe de ser, constitucionalmente, um país a caminho do Socialismo.

domingo, 20 de setembro de 2009

Há mais tons para além dos avermelhados e alaranjados


Pois é. Parece mentira, eu sei! Vivemos num país cada vez mais enviesado à esquerda. Nas últimas eleições europeias a nossa extrema-esquerda teve das votações mais expressivas na Europa (enquanto, lá por fora, o peso destes partidos no Parlamento Europeu diminuiu). Temos tanta sorte ou azar, que o maior partido do centro-direita português está à esquerda do seu partido europeu (palavras do próprio Paulo Rangel). E queremos mudar? Aparentemente e para algumas pessoas, não! A solução é continuar tudo na mesma!

Ontem o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que votar no CDS é “música celestial” e que “quem estiver farto (leia-se de Sócrates) tem que votar massivamente no PSD”. Meu caro, lamento imenso mas tenho que discordar destas suas afirmações. E, felizmente, não sou o único, caso contrário as sondagens andariam a dar valores na casa dos 60%-70% ao PSD, já que essa é, sensivelmente, a percentagem de votantes que não deverá escolher o PS.

Não compreendo. Todos afirmam que a nossa democracia é cada vez mais uma anedota. Que há “asfixia democrática”. Que não há regeneração da classe política. E a solução para o Professor (bem, se fosse só para ele já não era mau) é reduzir o país ao Bloco Central. É reduzir os partidos em que se “deve” votar ao PS e ao PSD. A solução é andar à volta do socialismo e da social-democracia. Mas será que já não chega? Andamos há 35 anos à volta desta política!

E não compreendo quando ouço o Professor a dizer isto. Tal como não compreendo quando vejo o Manuel Alegre a apelar ao voto numa pessoa e numa política, da qual discordou tanto nos últimos quatro anos e meio. Por que será? Mas os motivos agora não interessam para o caso e já estou a fugir ao que o Professor disse e à tal música celestial.

Pois bem, eu não vou votar no “centrão” e também recuso-me a votar na extrema-esquerda. Restam-me o CDS e os restantes “piquenos e médios partidos”. Confesso que adorava ver um novato MMS ou um também novato MEP a conseguir eleger um deputado, por que não? Mas dentro das possibilidades, votarei naquele que melhor conheço e que apresenta um programa eleitoral que me convence ser possível fazer melhor e diferente, o CDS.

Apesar de ter dado uma olhadela pelo programa eleitoral deste partido, sei que ninguém (eu incluído) anda mesmo a ler todos os programas eleitorais dos diferentes partidos. As pessoas votam pelo que os diferentes líderes defendem nas entrevistas e nos debates. Afinal é para os conhecermos e às suas ideias que existem esses mesmos debates e entrevistas. E no debate Manuela-Paulo, quem melhor convenceu o eleitorado de direita foi o líder do CDS.

“O CDS é claro onde o PSD é ambíguo, o CDS é diferente onde o PSD é parecido com o PS”. Paulo Portas proferiu esta frase logo no início do confronto e foi isto que se verificou ao longo do mesmo. A Manuela sabe muito bem o que não quer para o país. O Paulo Portas vai mais além disso. Ele pensou o país. Mesmo quem não concorde com as suas ideias, ao ouvi-lo reconhece que ele pensou a economia, as finanças, a educação, a saúde, a segurança ou a agricultura. Sabe o que não quer, mas também o que quer fazer e como o fazer. Onde é necessário aplicar dinheiro e onde se vai buscar esse mesmo dinheiro, sem endividar mais o país. E consegue explicar-nos isso. A Manuela Ferreira Leite não (vá, quanto muito “mal e porcamente”). Há um trabalho de casa feito pelo líder do CDS que nunca sequer deve ter passado pela cabeça da Manuela fazer. Ela só nos diz para não dispersarmos os votos e assim se cria no PSD a ideia de que quem está farto do Pinto de Sousa tem que votar naquele partido só porque sim. Porque o PSD é que é a alternativa (de sempre e para sempre talvez).

Professor Marcelo e Dra. Manuela, por mais que vos possa custar, quem vai votar CDS quer mesmo votar CDS! Se querem que eu (e os portugueses em geral) vote no PSD, façam por isso. Não andem é a dizer ao eleitorado do CDS que o seu voto não é útil, que é música celestial e que só se pode votar PSD. Dêem-me uma verdadeira mudança de pessoas e políticas e talvez já considere útil votar PSD. Não me dêem é um António Preto, um Pacheco Pereira ou mesmo um João de Deus Pinheiro que anda a bradar aos céus o bloco central, para continuarmos a levar com a trupe socialista em cima. Não podem querer que eu, assim, vote PSD nem que vote no PSD só porque sim, só porque este é que é o partido “do poder” e porque não há mais alternativas. Não posso aceitar isso e não posso aceitar que daqui a 100 anos se continue a discutir entre PS e PSD.

O meu voto é consciente e o meu voto útil é no CDS. Como dizia há uns tempos o Henrique Burnay para o 31 da Armada: “é o voto mais seguro contra maiorias absolutas, blocos centrais e esquerdas modernaças”.