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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Balanço "agridoce"


"Doce":

  • O PS, o Pinto de Sousa e o avô cantigas perderam! Segundo as palavras do último há uns dias, deve ter sido “humilhante”! São os grandes derrotados da noite! Ganha Portugal!
  • O PSD ganhou! (e que ninguém diga que já sabia, porque é mentira) O Paulo Rangel revelou-se uma decisiva surpresa e, afinal, uma boa aposta da Manuela Ferreira Leite. Digam o que disserem, o PSD precisava mesmo de ganhar se queria partir para as legislativas com ânimo.
  • O CDS elegeu dois deputados e voltou a calar os que previam o seu fim! Um dos vencedores da noite! Goste-se ou não, Paulo Portas é um verdadeiro monstro político. (gostava mesmo de o ver como 1º Ministro)
  • O grupo dos democratas-cristãos e dos conservadores teve uma grande vitória por esta Europa fora, principalmente se tivermos em conta o abandono dos conservadores britânicos que querem formar um novo grupo e a culpa da crise económica que é atribuída aos “porcos capitalistas neo-liberais”. O PPE-DE ganhou, entre outros países e para além do nosso, na Alemanha, França, Itália, Espanha, Polónia, Holanda, Bélgica, Áustria, Irlanda, Hungria, Finlândia, Bulgária e Luxemburgo.
  • Os socialistas europeus foram os derrotados da noite.

"Agri":

  • A abstenção. 63%. Mais uma derrota para a democracia e a culpa é dos políticos. Mas os portugueses também não podem ficar em casa a dizer mal e esperar que as coisas mudem por “alma e graça do espírito santo”! Cabe-nos a nós participar mais! Exigir mais! E exigir melhor! E nestas eleições não houve a desculpa da praia ou da chuva. É puro desinteresse!
  • A extrema-esquerda! Juntos, BE e PCP conseguiram 21,4% dos votos! O BE transformou-se na 3ª força política e conseguiu eleger 3 deputados! Triplicou a representatividade no PE! Apesar de não ter vencido, para mim foi o vencedor da noite. Um claro sintoma de que algo vai (mesmo) mal e não é no Reino da Dinamarca.
  • O PSD ganhou, contudo só conseguiu ter 2,9% a mais do que com o Santana em 2005. E se formos analisar as sondagens de há poucos dias, este era mais ou menos o resultado esperado. Como referiu o Luís Delgado na SIC: “temos de ver se foi o PSD que teve um bom resultado ou se o PSD aguentou-se e foi o PS que teve um péssimo resultado”. Sem Rangel e sem Vital, vamos ver como se desenrola o confronto Manuela vs Sócrates. A esperança renasceu, mas não é suficiente para estar descansado.
  • O Paulo Rangel e o Nuno Melo vão para Bruxelas. Fica Lisboa a perder dois grandes políticos.
  • O nº de votos nulos e brancos quase que duplicou (6,63%) e junto com os votos noutros partidos perfizeram 12% dos votos totais. Nunca este valor foi tão elevado! Mais um sinal da cada vez maior desconfiança em relação aos “5 grandes”. A manter-se a tendência, poderá um novo partido ganhar representatividade na Assembleia daqui a 3 meses? (isto já seria "doce" e não "agri")
  • Tal como esperado, abstenção europeia foi a maior de sempre! 57%. Não é de admirar, com o respeito com que a UE e os seus políticos tratam os cidadãos europeus. Com a aprovação do Tratado de Lisboa em alguns países que não o queriam e com os vários referendos que foram prometidos e não cumpridos noutros, ficou no ar a ideia de que a opinião dos europeus, no fundo, não conta para nada. Não podem ficar admirados se depois as pessoas andem cada vez mais afastadas das instituições.
  • Também como esperado, a extrema-direita avançou em alguns países. Se quem nos governa não perceber o motivo, a tendência de subida poderá manter-se.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Rescaldo do Nicola


Ambiente informal, uma meia hora de atraso em relação ao previsto (já é da praxe) e uma sala bem composta de bloggers que responderam ao convite para a “Blogotúlia”, lançado pelo cabeça-de-lista do PSD às Europeias, Paulo Rangel. O convite era para todos os bloggers interessados e O Sensitivo não o podia recusar. Éramos os mais novos da sala, é um facto, mas por esse mesmo motivo, talvez os mais interessados no futuro do nosso país e da UE.

“A Europa e o Interesse Nacional” era o tema da tertúlia e foi isso que se debateu no Nicola. Falou-se do alargamento, do federalismo, da situação económica e do modelo social europeu (não “modelo socialista europeu”, como referiu o próprio), do Tratado de Lisboa e do referendo prometido e não cumprido (falou-se muito do referendo não cumprido e da “falta de higiene democrática”), falou-se de Durão Barroso e Vital Moreia, do Banco Central Europeu, da Identidade Europeia e Portuguesa, do Casamento Homossexual, de umas forças armadas europeias, do relacionamento da UE com o resto do mundo e, por fim, da linguagem religiosa na política (ou da falta dela em Portugal). “Meu Deus!” Falou-se de tudo isto e ainda mais, em cerca de duas horas e meia! O debate foi elevadíssimo e rico (com uma boa contribuição dos bloggers também) e o Paulo Rangel procurou responder a todas as perguntas que lhe foram colocadas, algo que é raro em muitos políticos.

Assumiu-se à direita do PSD (só isso já o faz subir alguns pontinhos na minha consideração) e estando o PSD à esquerda do PPE, posicionou-se no centro deste partido europeu. Paulo Rangel defendeu que a UE se precipitou com o alargamento a leste. Na sua opinião, a UE deveria ter dado uma ajuda financeira muito maior a esses países, quando não eram membros, do que a que dá actualmente, só os admitindo no clube europeu quando tivessem atingido certos patamares. Defendeu que a prioridade do próximo alargamento da UE devem ser os Balcãs e não a Turquia. A Sérvia não deve ser mantida de parte e a Albânia e a Bósnia, por terem comunidades muçulmanas relevantes, poderão funcionar como precedentes a uma eventual entrada da Turquia. Quanto a esta última, defendeu que a partir do momento em que se iniciaram as negociações, estas devem prosseguir de boa fé. No entanto, ressalva que a Turquia está muito longe de cumprir os patamares exigidos, estando, neste momento, a recuar nalguns pontos em vez de avançar. Paulo Rangel defende parcerias reforçadas, sempre que possível, com a Turquia mas que a UE não pode ceder, em caso nenhum, em pontos fundamentais para o ingresso deste país na União. Quanto ao leste que fica agora a leste da União, Paulo Rangel defendeu que a Bielorrússia deve ser uma grande prioridade da UE e que se devem manter conversações longas e parcerias com a Ucrânia. Quanto às relações com a Rússia, Paulo Rangel lembrou João Paulo II que dizia que a Europa ia do Atlântico aos Urais. A cultura russa faz parte da cultura europeia e a UE deve tentar encontrar parcerias com este país.

Assumindo-se federalista (apoiante de uma federação e não de um estado federal), defendeu o Tratado de Lisboa como a fórmula que mais defende os pequenos e médios estados e é da opinião de que o conselho europeu deverá evoluir para um senado (com muito mais peso do que o parlamento). Apesar de não ter nenhuma objecção ou idolatria pelos referendos, acha que há casos em que os referendos são desaconselháveis, devido ao risco de manipulação. Contudo, defendeu que a adesão de Portugal à CEE deveria ter sido referendada (bem como a Constituição Portuguesa). Quanto ao facto do PSD ter prometido um referendo ao Tratado de Lisboa e depois ter voltado atrás na sua promessa, “desculpabilizou-o” pelo facto do líder que voltou atrás na promessa (Luís Filipe Menezes) não ser o mesmo que fez a promessa (Luís Marques Mendes). Já o PS, na sua óptica, não tem desculpa pelo facto do líder que fez a promessa e não a cumpriu ter sido o mesmo (José Sócrates). Mas independentemente do referendo, Paulo Rangel acha que “já existe uma constituição europeia que não é escrita”.

Paulo Rangel defendeu ainda que é necessário repensar o Banco Central Europeu e que é favorável a umas forças armadas europeias, que actuem em missões de paz, mas que nunca devem ser pensadas fora de um quadro atlântico. Apesar de não lhe fazer confusão o casamento homossexual, acha que para Portugal se deveria pensar noutra alternativa (talvez união civil?), tendo em conta que o país ainda é bastante conservador e que muitas pessoas serão contra uma igualdade na união entre pessoas do mesmo género e entre pessoas de géneros diferentes. O cabeça-de-lista do PSD às Europeias, ainda é da opinião de que Portugal não tem sido muito inteligente em aproveitar a mais valia que pode ser para a UE no relacionamento desta com a China (via Macau) e com a Índia (Goa) e nas relações da União com a América Latina (principalmente Brasil), África e Mediterrâneo. Por fim, referiu que é contra o facto de em Portugal e ao contrário da Europa (principalmente nos partidos do PPE), quase ser proibido usar termos religiosos no espaço público. O Estado deve “ser laico mas não laicizante”.

Antes da tertúlia comentei com outros membros d'O Sensitivo-Psiquiátrico que o Paulo Rangel não é o meu candidato. Não será nele que, em princípio, irei votar. Considero que este não é o melhor candidato do PSD para as europeias (que o partido precisa mesmo de ganhar se quer ter esperança de derrotar Sócrates em Setembro). Não tem grande carisma, mas verdade seja dita não é o único a “sofrer” desse mal. Contudo a iniciativa de ontem é de saudar. Mesmo não concordando em alguns aspectos, ontem saí do Nicola com melhor impressão do que entrei. Paulo Rangel pensa Portugal e pensa a Europa e não teve problemas nenhuns em partilhar connosco a sua visão. Ontem saí do Nicola a pensar que, talvez, o PSD volte a merecer o meu voto. E ontem também saí do Nicola com vontade de mais. A “Blogotúlia” de ontem funcionou (muito) melhor do que um debate televisivo ou uma entrevista num jornal. Pode ainda não trazer grandes resultados em termos mediáticos, mas esta é uma parte importante das campanhas do futuro. Houve uma maior aproximação às pessoas que querem discutir política, fossem eles os bloggers presentes na tertúlia, ou os que a acompanhavam através da emissão em directo de alguns dos blogs e que podiam comentar ou lançar perguntas a serem feitas ao nosso anfitrião. Espero que outros, dentro e fora do PSD, sigam este exemplo do Paulo Rangel.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Alguém o ouviu?


Os cinco partidos políticos portugueses com representatividade no Parlamento Europeu prevêem gastar, durante esta campanha europeia, mais do dobro do que gastaram na campanha de 2004. Todos, sem excepção, irão aumentar os seus gastos. O PSD em 95%, o PS em 9%, o PCP em 185%, o BE em 301% e o CDS em 27%.

Não há muito tempo (mais concretamente no dia 25 de Abril) o Sr. Presidente da República disse, em plena Assembleia da República, na presença dos deputados de todos estes partidos, o seguinte: “Considero essencial que os próximos actos eleitorais tenham como horizonte Portugal inteiro. As campanhas devem decorrer com serenidade e elevação e os Portugueses esperam que, num tempo de dificuldades, os agentes políticos saibam dar o exemplo (…) que haja sobriedade nas despesas, que não se gaste o dinheiro dos contribuintes em acções de propaganda demasiado dispendiosas para o momento que atravessamos.”

Depois de serem conhecidos estes números e depois da recente aprovação (por unanimidade) da nova lei do financiamento partidário restam-me só duas perguntas. Primeira: Mas os partidos andam (todos) a gozar connosco? Segunda: (é a que dá título a este post).