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sábado, 27 de março de 2010

Divisão, qual divisão?

Afinal a anterior direcção, quando escorraçou o Pedro Passos Coelho, não estava a escorraçar 33% dos militantes do PSD mas sim 63% dos mesmos. 63% dos votos nas eleições mais concorridas de sempre. Não há dúvida que é hora de virar a página.

Paulo Rangel

A insistência num "grande projecto social-democrata" do seu discurso quase que me assusta.

quinta-feira, 25 de março de 2010

O triste fim de Manuela Ferreira leite

"A abstenção do PSD na votação do PEC é uma lamentável notícia para o país porque é viabilizado um mau PEC. E é uma terrível notícia para o PSD, que viabiliza um PEC com o qual não concorda e que vai contra o seu programa eleitoral, compromisso que assumiu com os seus eleitores. É, também, uma inexplicável decisão da ainda líder que, vendo o seu partido dividido e amanhã com nova liderança, quis impor a sua posição (que é só sua e não corresponde ao que prometeu ao país em Setembro) sobre o partido e a sua futura liderança - Rangel e Passos Coelho assumiram que votariam contra este PEC. Nada disto faz sentido. Questões fundamentais como os investimentos públicos (terceira travessia do Tejo e TGV Lisboa-Madrid), os impostos, a contenção de despesas, ou os cortes na Administração Pública mantiveram-se inalteradas."

Alexandre Homem Cristo para o Cachimbo de Magritte.

domingo, 21 de março de 2010

"Vocês deviam ter vergonha do que fizeram" - 3ª Parte

Nos últimos 15 anos os “barões” do PSD deram-nos o Barroso e a sua fuga para Bruxelas, a boa moeda do Sr. Presidente, que não há meio de se ir embora, e a Manuela para a defrontar e tentar remediar o erro. Três momentos da autoria dos “barões”, três momentos que estão a sair bem caros ao país. E agora qual é a próxima aposta? Tentam-nos impingir, desta vez, um homem que não avançava e que dizia que os seus eleitores não iriam perceber se abandonasse o cargo para o qual tinha sido eleito há tão pouco tempo. Um homem que avançou em plena discussão do Orçamento de Estado, quando a direcção (que está por detrás da sua candidatura) tinha dado indicações para não se avançar enquanto o OE não fosse votado na Assembleia. Foi feio e, pior, o Aguiar-Branco não merecia a forma como foi tratado.

Mas quem é esta nova esperança dos “barões”? É assim tão boa? Dizem-nos que o Paulo Rangel teve uma grande vitória nas Europeias e que este é que é o homem ideal para defrontar o Sócrates. Se bem lembro não foi o Paulo Rangel quem teve uma grande vitória nas Europeias. Foi sim o Vital Moreira que teve uma enorme derrota. O Paulo Rangel nem conseguiu capitalizar o voto dessa grande derrota do PS (lembro que o Rangel só teve 2,5% a mais do que a Manuela em Setembro). O Paulo Rangel até teve o resultado que as sondagens previam, elas só erraram mesmo no resultado do PS. Mais uma vez temo que os “barões” do PSD estejam a dar outra “não-alternativa” ao país. E mais uma vez estou certo de que o Sócrates lhes agradece.

Assim e como há dois anos atrás, acho que o Passos Coelho é o único candidato que se apresenta capaz de virar a página no PSD. O Pacheco Pereira diz que quem apoia o Passos Coelho é o pior que há no PSD. Pela minha parte não levo a peito pois eu também acho que o Pacheco Pereira é o pior que há no PSD (outro antigo comunista). A minha relação com o Pacheco é parecida com a destes nossos amigos. Mas voltando ao Passos Coelho. Ele não vem de nenhuma facção do PSD, há dois anos não a tinha e agora se a tem é porque a criaram por ele. Mas precisamente por não vir de nenhuma facção consegue agregar muitos nomes diferentes do PSD, alguns até que apoiaram a Manuela há dois anos. E muitos criticam-no por ter o apoio do Marco António Costa ou do Carlos Carreiras. Pedem a união mas são os primeiros a não trabalhar para ela. Esquecem-se que os apoios do Passos Coelho vão desde os referidos líderes distritais do PSD de Lisboa e Porto até à Paula Teixeira da Cruz ou até ao Ferreira do Amaral. Esquecem-se também que é muito mais provável construir uma unidade entre o Passos Coelho e o Aguiar-Branco após as eleições, do que entre o Rangel e qualquer um dos outros dois. E o grupo parlamentar até podia ser um problema já que foi feito pela Ferreira Leite à sua imagem e medida e ela tanto fez por afastar o Passos Coelho e os seus apoiantes. Podia ser, mas nem isso deverá ser um problema. Pelo menos 34 deputados do PSD já o apoiam, pois fazem parte da sua Comissão de Honra. E os seus críticos já nem sabem muito bem por onde pegar. Uns dizem que ele é demasiado à esquerda e outros dizem que é demasiado liberal (decidam-se).

Dia 26 o PSD vai ter outra oportunidade de ouro para decidir se quer mesmo virar a página, se quer mesmo derrotar o Sócrates, ou se vai continuar agarrado aos “barões” e cometer o mesmo erro de há dois anos. Se o Passos Coelho ganhar, tornar-se 1º Ministro e revelar-se o terrível perigo que os adversários dizem que é, serei o primeiro a criticá-lo. Contudo, de todos, é o único que ainda não teve hipótese de mostrar o que vale, no Parlamento ou no Governo. Por enquanto estou disposto a criticá-lo só depois de ver obra.

"Vocês deviam ter vergonha do que fizeram" - 2ª Parte

O título deste post quase podia ser O problema dos “barões”. Ora vamos lá dissecar esse problema.

O PSD viu a sua última e grande época de ouro terminada há já 15 anos (demasiado tempo para um partido de poder). Durante 10 anos o Cavaquismo marcou e dominou, não só o PSD, como Portugal inteiro. O Cavaco ganhou o estatuto de melhor 1º Ministro do pós-25 de Abril e muitos dos seus ministros ganharam quase tanto peso na vida nacional como o próprio. Era tudo um mar de rosas – ou de laranjas neste caso – até que, inevitavelmente, tudo acabou. Tivemos o Eng. Guterres que deixou o “país num pântano” e agora temos este Eng.(?) que está a deixar o país como o sabemos. E nos últimos 15 anos mais de 12 foram da responsabilidade dos engenheiros socialistas que muito têm feito para acabar com a economia portuguesa. E parece que a coisa ainda está para durar.

Será que as pessoas estão, sequer, cansadas? Não! Por incrível que pareça os que ainda se dão ao “trabalho” de ir votar continuam a votar nos nossos amigos ratinhos! O que se passa então? Os portugueses são masoquistas? Sim, são um bocadinho até, mas o que se tem passado para as pessoas não só não votarem no PSD (para o parlamento), como fugirem mesmo deste partido como o diabo foge da cruz? É fácil até, o PSD ficou órfão do Cavaco e há 15 anos que anda completamente perdido. Sem Cavaco, o partido ficou entregue aos seus discípulos, delfins e amigos – vulgarmente colocados no tal grupo dos “barões” – pessoas que também protagonizaram ou tentam ser herdeiras desses tempos nostálgicos do Cavaquismo. Estes “barões” nem sempre têm estado à frente do PSD mas, de uma maneira ou de outra, têm continuado a comandar os destinos do PSD e, quando não o conseguem, têm quase sempre alguém pior do que eles à frente (o que lhes facilita imenso a vida).

Mas eis que passados 15 anos muitos dos nomes que outrora mais brilharam no partido tornaram-se mais prejudiciais ao PSD e, pior, ao País do que necessários. A verdade é que o Cavaquismo já passou, pertence mesmo ao século passado, mas muitos cavaquistas ainda não conseguiram compreender isso. O grande delfim do Cavaco – o Durão Barroso, um ex-comunista - venceu o PS, quando este tinha acabado de deixar o país num pântano, por apenas 2%! Só isso já era sinal para nos preocupar mas era a esperança dos “barões” e eles é que percebem disto. Ninguém achou estranho o PSD ter obtido apenas mais 2% do que o PS que nos tinha deixado “de tanga”. A falha devia ser minha que já desconfiava muito do Durão Barroso desde que se candidatou a líder do PSD. Mas eis que, apenas dois anos e dois meses passados, o Durão fugiu – não há outro nome a dar - para Bruxelas. E só foi para lá porque quase todos os chefes de governo do PPE da altura receberam o mesmo convite, que recusaram para fazerem precisamente aquilo que Durão Barroso não fez – honrar o mandato para que tinham sido eleitos até ao fim. E depois também se deu o episódio chato do comboio em Madrid, que estragou por completo as hipóteses do Aznar ir para o dito lugar, como muitos vaticinavam. Acho que passados cinco anos muitos sociais-democratas ainda não conseguiram compreender todas as consequências desse acto para o PSD.

Foi então que passados uns mesinhos Portugal ganhou mais um engenheiro socialista como 1º Ministro. Estava tudo a correr cada vez pior e todos esperavam que há dois anos, a um ano do ciclo eleitoral, o PSD conseguisse criar uma verdadeira alternativa para o país. E eis que os ditos “barões” se mexeram, mais uma vez, para nos darem outro dos grandes rostos do Cavaquismo (eles ainda não alcançaram o que é que se há-de fazer?): a Manuela. Este foi outro dos enormes erros do PSD (eles vão somando). A Manuela nem sequer era uma alternativa, era mesmo uma “não-alternativa”. Era tão óbvio que os portugueses nunca iriam votar nela, que quase sou tentado a pensar que quem a apoiou e elegeu não queria, de facto, derrotar o Sócrates (ele agradece).

Mas o problema será só dos amigos e dos delfins que o Cavaco deixou? Não, o homem por quem muitos ainda suspiram no PSD tornou-se, ele próprio, prejudicial ao país. Lembram-se de um artigo de uma moeda boa e de outra má? Como nos lembrou o Santana no congresso: “Era esta a boa moeda?”. Obrigado Sr. Presidente por nos ter dado o Pinto de Sousa. Ao fim de 5 anos continuamos a levar com ele e parece que a hora de se ir embora nunca mais chega.

E quanto ao futuro o que nos reservam os ditos "barões"? Estarão prontos para o virar de página no PSD e para ceder o "protagonismo" a uma nova geração? (continuarei na 3ª parte).

sexta-feira, 19 de março de 2010

"Vocês deviam ter vergonha do que fizeram" - 1ª Parte


Não acompanhei o Congresso do PSD em directo por isso restou-me ver os vídeos disponíveis pela internet ao longo dos últimos dias. Como já se sabia, não foi um Congresso para decidir o quer que seja (tirando a já famosa “lei da rolha”) mas não há dúvida que o PSD continua a ser o partido com os congressos mais interessantes em Portugal. Para a história ficaram vários discursos importantes, a presença de muitos dos nomes fortes do PSD e o apelo de muitos à união do partido. Depois de dia 26, logo se verá se a dinâmica continua ou não. Para bem de Portugal esperemos que sim.

Quanto aos discursos, não era de nenhuma das pessoas mais esperadas (candidatos e ex-presidentes) mas acabou por ser dos discursos mais marcantes e talvez o mais sentido. Fernando Costa disse aquilo que muitos pensavam e diziam em surdina. Disse aquilo que, apenas umas horas antes, alguns “jotas” (jsd) com quem estava me transmitiam como sendo a sua opinião e a opinião que graça pelo generalidade da “Jota”. Há muito que apoio o Passos Coelho, já há dois anos o apoiava e algumas das razões que me levaram a apoiá-lo foram lembradas pelo Fernando Costa. Em baixo algumas das frases que se andavam a murmurar há muito, que "incendiaram" o congresso e que deixaram a actual direcção num silêncio absoluto:

“Nós é que estamos a ser irresponsáveis, porque não soubemos candidatar os melhores há dois anos, porque não estivemos bem há cinco anos.”

“(Santana) Fizeste uma coisa terrível: é que derrotaste o Pedro Passos Coelho. Se não tens aparecido, ele tinha ganho, ele hoje era 1º Ministro e Portugal não estava...(nas mãos do Sócrates)”

“Mas avisei que quando te estavam a escorraçar, Passos Coelho, estavam a escorraçar 33% dos militantes do partido. (…) Foi nessa noite que vocês perderam! Vocês deviam ter vergonha do que fizeram!”

“Não basta ganhar dentro do partido, não basta ter o aparelho do partido, não basta ter os intelectuais do partido, é preciso ter a aderência dos nossos militantes, dos nossos simpatizantes. (…) É preciso ganhar aqui mas é sobretudo importante ganhar lá fora!”

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Não há dúvida que o Passos Coelho consegue unir o PSD

A Ferreira Leite está toda amiga do Santana Lopes (quem diria? eu até pensava que ela era das que o considerava uma "má moeda") e deu-lhe de mão beijada um congresso que se adivinha anedótico. Por sua vez o Santana Lopes considera que Marcelo Rebelo de Sousa seria o candidato ideal para o PSD (o Santana estaria mesmo a falar do Marcelo que eu penso? o que ele "afastou" da TVI?). Há coisas fantásticas mesmo!

A propósito do Marcelo já escrevi aqui algumas razões do porquê da sua hipotética candidatura não ser, sequer, credível. Se dúvidas houvessem, o Passos Coelho ontem lembrou mais uma, a propósito do Professor achar que tem que se evitar a todo o custo a sua chegada ao poder laranja: "Para alguém que abandonou o partido em vésperas de eleições, é uma coisa muito pouco própria."

A propósito do Santana acho que nem vale a pena divagar muito. Por mais quanto tempo vamos ter que andar a contar as n vidas do menino-guerreiro?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ainda a propósito do PSD

"O que me preocupa no PSD não é o confronto político em si: é constatar que há um grupo de pessoas que age como se as regras do leal confronto democrático não lhes fossem aplicáveis. Excluem quem não lhes é afecto, mas estão muito preocupados com a unidade do partido. Não olham a meios – nem a media – para desqualificar os adversários, mas são os maiores defensores da disciplina partidária. Recrutam comentadores para insultar quem se lhes opõe, mas ofuscam-se com qualquer crítica que se lhes faça.

Ultimamente esse grupo tem estado no poder, mas não esqueçamos o que ele fez quando o poder lhe foi arredio. Derrubou Santana Lopes. Menorizou Marques Mendes. Entrou em guerra com Luís Filipe Menezes. Sem que a vontade expressa pelos militantes do Partido lhes merecesse o mínimo respeito. Na realidade, comportam-se como se o partido fossem eles, e usam o seu estatuto social e comunicacional para submeter o PSD a uma inaceitável chantagem: ou o Partido alinha com a sua estratégia, ou eles afundam o Partido.

Há quem receie a ruptura entre esse grupo, muito impropriamente apelidado de “elites”, e a massa do partido. Pessoalmente não desejo rupturas, mas também não as temo: da última vez que o PSD perdeu a paciência com as suas auto-proclamadas “elites”, em 1978, mais de metade do grupo parlamentar saiu em oposição a Francisco Sá Carneiro. No ano seguinte a AD foi vitoriosa. Uma lição a reter para quem acha que pode continuar a fazer o mal e a caramunha."

Da autoria de Vasco Campilho. Artigo completo aqui.

sábado, 31 de outubro de 2009

O dia depois de amanhã


Este post era para ser um comentário ao post de baixo do Formiga mas já estava a ficar algo para o longo. Vamos então lá dissecar o “bicho” Marcelo e a aparente vaga de fundo.

Para começar Marcelo será (provavelmente) outro erro de casting se vier a ser líder do PSD. É melhor do que Manuela Ferreira Leite? Provavelmente sim. Vence Sócrates? Provavelmente não. O PSD ainda não percebeu que não voltará a vencer eleições enquanto for mais do mesmo. Enquanto continuar a apresentar as caras de sempre, as ideias de sempre. O PSD (ou os seus “barões”) ainda não percebeu que tem mesmo (mesmo) de mudar. Outra coisa que os “barões” do PSD ainda não perceberam é que enquanto estiverem mais empenhados em derrotar Passos Coelho a todo o custo do que em defrontar Sócrates, só ajudam o Passos Coelho e sim, quero dizer com isto que não me admirava muito se Passos Coelho derrotasse Marcelo Rebelo de Sousa em directas (a probabilidade de vitória do primeiro será tanto maior quanto mais desesperadas andarem as diferentes facções a encontrar alguém só com o único propósito de o derrotar).

Marcelo, Rangel, Ferreira Leite, Aguiar-Branco e mais uns quantos, qualquer um serve, qualquer um tem que avançar, para Passos Coelho não ganhar. É preferível que Sócrates ganhe mais uma eleição do que ter lá o Passos Coelho (para eles, para mim não). Sinceramente não percebo este medo todo pelo Passos Coelho. Ainda há uns 2 anos ninguém sabia quem ele era e, verdade seja dita, ele nem sequer teve ainda a oportunidade de mostrar o que vale, enquanto deputado, ministro ou presidente do partido (ao contrário de outros que a tiveram, só fizeram porcaria e já provaram que não são a solução para o PSD). Esta azáfama toda dos “barões” faz-me lembrar a que tiveram contra o Santana Lopes. Mas essa até a consigo perceber um pouco. O “menino-guerreiro” já lá tinha passado, eles não gostaram nem um pouco e havia que impedir que retornasse a todo o custo. Deu mau resultado, mas até consigo perceber. Agora com o Passos Coelho não consigo mesmo. Não o podem propriamente acusar de ter feito um mau trabalho. A única explicação que encontro é de que Passos Coelho é mesmo uma mudança e é isso que os assusta. Uma mudança irá implicar o fim do seu “reinado” pelo partido. É feio de se dizer mas é a verdade nua e crua. Estão mais preocupados com os seus pequenos e grandes tachos do que em derrotar os socialistas (aos quais vão entregando vitórias de mão beijada - incluo nestas vitórias as autárquicas).

Há poucos dias o Henrique Burnay, para o 31 da Armada, recordava a Marcelo Rebelo de Sousa uma grande lição de vida: “…além de não se voltar a um lugar onde se foi feliz, sobretudo não se costuma regressar a um lugar onde se foi infeliz.” Marcelo já se terá esquecido de como foi ou então pensará que desta vez será diferente, mas é mais provável que seja diferente para pior do que para melhor. Além do mais Marcelo devia decidir-se pelo que quer. Ou quer ser Presidente da República ou do PSD e concorrer para 1º Ministro. Ou quer mesmo e avança ou então retira-se e não anda aqui ora a dizer que sim, ora a dizer que não, a ver no que é que isto dá. Agora esta política de que "o que vier à rede é peixe" pode dar mau resultado. Mas isto é apenas a minha opinião e, no fundo, posso estar completamente enganado.

p.s. (De notar que reconhecer que o partido daqui a 5 anos estará nas mãos do Passos Coelho é reconhecer, desde já, que não há grande esperança que o Marcelo derrote o Sócrates. Para mim isso é motivo mais do que suficiente para se partir para outra.)

p.s.2 De notar que muitos dos que mais defenderam que Manuela devia cumprir o mandato até ao fim (completamente de acordo), são os que mais andam a mandar nomes de hipotéticos candidatos para o ar. Seria interessante que os interessados avançassem por si, mas mais uma vez querem ir buscar um nome da "velha guarda" para fazer o "trabalho sujo".

p.s.3 Depois de voltar a ouvir Marcelo fico com a sensação que ele quer mesmo voltar a ser presidente do PSD. Só não quer é ter que ir a votos contra alguém. A unanimidade do partido só se conseguirá pelas bases, em directas. E só será verdadeira se houver mais do que um candidato por onde se escolher. Aparentemente Marcelo não quer isso.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O dia de amanhã

Marcelo Rebelo de Sousa será provavelmente candidato à liderança do PSD (tendo em conta a vaga de fundo que se gera) contra Pedro Passos Coelho. Não tenho dúvida nenhuma de que Marcelo ganhará essa eleição. Dependendo de como as coisas se desenrolem a partir daí, ele poderá ou não ganhar as próximas legislativas contra Sócrates.
Se não ganhar Pedro Passos Coelho será o líder seguinte. Venha quem vier contra ele. E estará legitimado pelas bases para fazer o que bem entender, como bem entender. O PSD estará unido à volta dele, unicamente porque qualquer um que esteja contra terá já sido derrotado vezes sem conta. Bastará colá-lo a Marcelo, a Ferreira Leite, a Santana...
É nestas alturas que eu gostava que alguém me viesse garantir sobre o seu carácter idóneo e sobre as virtudes do seu projecto para o país. Hoje gostava que alguém me convencesse de que Pedro Passos Coelho é D. Sebastião, finalmente retornado.
Isto porque, daqui a 5 anos, ele vai ter o PSD na mão, para reconstruir a seu bel-prazer. E eu acho que já chega de socialismo neste país.

P.S. O facebook passará a significar alguma coisa para mim no dia em que se conseguir fazer uma petição gigante para que Portugal deixe de ser, constitucionalmente, um país a caminho do Socialismo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Coisas que me chateiam e coisas que me chateiam mesmo muito

A tvi teve a amabilidade de me disponibilizar isto. As boas noticias é que no meu distrito (Setúbal) há um sitio (Palmela) em que o PP ficou à frente do PSD. As más é que indo ver concelho a concelho conta-se pelos dedos de uma mão (uma mão com alguns dedos amputados) as câmaras em que a direita teve mais do que 20% dos votos. Não se preocupem, não, isto não quer dizer que o PS ganha em força em Setúbal.
É a CDU que ganha. O PCP. Na maioria dos casos com maioria absoluta. Há concelhos em que o PS+CDU = 80% dos votos. 80.

Estava eu deitado no chão a carpir mágoas quando me vêm dizer que há candidatos à liderança do PSD. O Coelho. E o Menezes. E talvez o Rangel. E o Marcel também já tinha dito talvez. E ainda há que considerar o Aguiar Branco e o Morais Sarmento e mais não sei quem.
Eu sabia que era isto que vinha aí. Sabia que toda a gente se preparava para tentar açambarcar o lugar de Ferreira Leite, sabia que ela era uma figura transitória, mas este país em geral (o meu distrito em particular fica sempre mais ou menos como está, nada a fazer) podia neste momento ter um governo decente se algum destes tão bons senhores (ok, justiça seja feita, alguns até se tinham candidatado - aliás, alguns até lá passaram e... ah, esperem... Perderam) se tivesse candidatado a tempo e horas.

A sério. Eu por mim a Ferreira Leite fica lá mais quatro anos. Só muda antes das eleições. E a regra devia ser que nenhum destes senhores, com excepção do Rangel (estava na lista da senhora) e do Passos Coelho (foi candidato derrotado), se poderia candidatar.

Com esta oposição aposto o meu dinheiro em como Sócrates fica lá mais quatro anos. Ou ganha a seguir com maioria absoluta. Outra vez.

Coisas que me chateiam. Coisas que me chateiam mesmo, mesmo, mesmo muito.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

domingo, 20 de setembro de 2009

Há mais tons para além dos avermelhados e alaranjados


Pois é. Parece mentira, eu sei! Vivemos num país cada vez mais enviesado à esquerda. Nas últimas eleições europeias a nossa extrema-esquerda teve das votações mais expressivas na Europa (enquanto, lá por fora, o peso destes partidos no Parlamento Europeu diminuiu). Temos tanta sorte ou azar, que o maior partido do centro-direita português está à esquerda do seu partido europeu (palavras do próprio Paulo Rangel). E queremos mudar? Aparentemente e para algumas pessoas, não! A solução é continuar tudo na mesma!

Ontem o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que votar no CDS é “música celestial” e que “quem estiver farto (leia-se de Sócrates) tem que votar massivamente no PSD”. Meu caro, lamento imenso mas tenho que discordar destas suas afirmações. E, felizmente, não sou o único, caso contrário as sondagens andariam a dar valores na casa dos 60%-70% ao PSD, já que essa é, sensivelmente, a percentagem de votantes que não deverá escolher o PS.

Não compreendo. Todos afirmam que a nossa democracia é cada vez mais uma anedota. Que há “asfixia democrática”. Que não há regeneração da classe política. E a solução para o Professor (bem, se fosse só para ele já não era mau) é reduzir o país ao Bloco Central. É reduzir os partidos em que se “deve” votar ao PS e ao PSD. A solução é andar à volta do socialismo e da social-democracia. Mas será que já não chega? Andamos há 35 anos à volta desta política!

E não compreendo quando ouço o Professor a dizer isto. Tal como não compreendo quando vejo o Manuel Alegre a apelar ao voto numa pessoa e numa política, da qual discordou tanto nos últimos quatro anos e meio. Por que será? Mas os motivos agora não interessam para o caso e já estou a fugir ao que o Professor disse e à tal música celestial.

Pois bem, eu não vou votar no “centrão” e também recuso-me a votar na extrema-esquerda. Restam-me o CDS e os restantes “piquenos e médios partidos”. Confesso que adorava ver um novato MMS ou um também novato MEP a conseguir eleger um deputado, por que não? Mas dentro das possibilidades, votarei naquele que melhor conheço e que apresenta um programa eleitoral que me convence ser possível fazer melhor e diferente, o CDS.

Apesar de ter dado uma olhadela pelo programa eleitoral deste partido, sei que ninguém (eu incluído) anda mesmo a ler todos os programas eleitorais dos diferentes partidos. As pessoas votam pelo que os diferentes líderes defendem nas entrevistas e nos debates. Afinal é para os conhecermos e às suas ideias que existem esses mesmos debates e entrevistas. E no debate Manuela-Paulo, quem melhor convenceu o eleitorado de direita foi o líder do CDS.

“O CDS é claro onde o PSD é ambíguo, o CDS é diferente onde o PSD é parecido com o PS”. Paulo Portas proferiu esta frase logo no início do confronto e foi isto que se verificou ao longo do mesmo. A Manuela sabe muito bem o que não quer para o país. O Paulo Portas vai mais além disso. Ele pensou o país. Mesmo quem não concorde com as suas ideias, ao ouvi-lo reconhece que ele pensou a economia, as finanças, a educação, a saúde, a segurança ou a agricultura. Sabe o que não quer, mas também o que quer fazer e como o fazer. Onde é necessário aplicar dinheiro e onde se vai buscar esse mesmo dinheiro, sem endividar mais o país. E consegue explicar-nos isso. A Manuela Ferreira Leite não (vá, quanto muito “mal e porcamente”). Há um trabalho de casa feito pelo líder do CDS que nunca sequer deve ter passado pela cabeça da Manuela fazer. Ela só nos diz para não dispersarmos os votos e assim se cria no PSD a ideia de que quem está farto do Pinto de Sousa tem que votar naquele partido só porque sim. Porque o PSD é que é a alternativa (de sempre e para sempre talvez).

Professor Marcelo e Dra. Manuela, por mais que vos possa custar, quem vai votar CDS quer mesmo votar CDS! Se querem que eu (e os portugueses em geral) vote no PSD, façam por isso. Não andem é a dizer ao eleitorado do CDS que o seu voto não é útil, que é música celestial e que só se pode votar PSD. Dêem-me uma verdadeira mudança de pessoas e políticas e talvez já considere útil votar PSD. Não me dêem é um António Preto, um Pacheco Pereira ou mesmo um João de Deus Pinheiro que anda a bradar aos céus o bloco central, para continuarmos a levar com a trupe socialista em cima. Não podem querer que eu, assim, vote PSD nem que vote no PSD só porque sim, só porque este é que é o partido “do poder” e porque não há mais alternativas. Não posso aceitar isso e não posso aceitar que daqui a 100 anos se continue a discutir entre PS e PSD.

O meu voto é consciente e o meu voto útil é no CDS. Como dizia há uns tempos o Henrique Burnay para o 31 da Armada: “é o voto mais seguro contra maiorias absolutas, blocos centrais e esquerdas modernaças”.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

"Renovação de velharias"


Nas últimas eleições para a presidência do PSD, Manuela Ferreira Leite, Pedro Passos Coelho e Pedro Santana Lopes obtiveram, sensivelmente, um terço dos votos cada. Defendendo uma verdadeira mudança para Portugal e, como tal, para este partido, não escondi que torcia por Pedro Passos Coelho. Gostava que o Futuro do país não estivesse numa cara com quase 70 anos e que a escolha de Setembro não fosse entre quem lá está e quem já lá esteve - é certo que Manuela Ferreira Leite nunca foi nº 1. (De notar que, exceptuando os meses de governo Santana, nos últimos 18 anos Manuela Ferreira Leite e José Sócrates estiveram presentes nos diferentes governos nacionais, facto que não se irá alterar com esta eleição.)

Ao fim de mais de um ano, Manuela Ferreira Leite não é ainda o rosto da mudança. O PSD não descola nas sondagens e apesar de terem ficado contentíssimos com a vitória nas Europeias, esqueceram-se, ou quiseram esquecer, que esta se deveu ao péssimo resultado do PS e não ao estrondoso resultado do PSD. O PSD até pode vir a ganhar em Setembro mas, até agora, nada prevê que mesmo que o consiga, seja por uma grande margem. Tal facto ganha maior relevância tendo em conta o desgaste de quatro anos e meio deste governo e as peripécias de Sócrates e companhia limitada.

Por amor de Deus! Alguém diga aos "barões" do PSD que o governo do país tem de ser merecido e conquistado, não podem ficar simplesmente à espera que o PS caia com o desgaste! É que assim arriscam-se a que não caia tão cedo e Portugal merecia uma verdadeira alternativa! Já o disse no passado e volto a dizer, o PSD, como maior partido da oposição, tinha obrigação de dar esperança aos portugueses num futuro melhor e diferente. Assim, cresce o afastamento, o desinteresse, a abstenção e o voto na extrema-esquerda.

Ontem, por fim, confirmou-se que Pedro Passos Coelho não estava incluído nas listas para a Assembleia Nacional. Dois terços dos votos dos militantes do PSD estão em risco de serem silenciados. A eleição para a Câmara de Lisboa é dificílima e as hipóteses não abonam muito a favor de Santana Lopes. Se perder, Santana fica “arrumado” a um canto, sem qualquer cargo político relevante. Quanto a Passos Coelho e aos seus apoiantes mais próximos (Miguel Relvas é o maior exemplo), também é notório que os querem “arrumar” a um canto, longe da vida política nacional.

É verdade que não sou o maior entusiasta de Santana mas a maneira com que a Manuela Ferreira Leite “calou” cerca de dois terços dos votos dos militantes do PSD, faz-me lembrar o Paulo Portas e a atitude exactamente oposta que este teve, ao convidar o Ribeiro e Castro (que não representa tantos militantes quanto Passo Coelho) para a lista de deputados do CDS. É que muitos dos laranjinhas tentam justificar o afastamento de Passos Coelho com a necessidade de Manuela Ferreira Leite ter um grupo parlamentar coeso. OK. Compreendo. Mas o engraçado é que Paulo Portas, que tem um grupo parlamentar muito mais pequeno, não se preocupou em convidar aquele que é o seu maior opositor interno.

Por fim a Manuela conseguiu uma lista à sua imagem. Uma (falsa) unanimidade digna do nosso "querido" Pinto de Sousa. Da prometida renovação, vieram muitos nomes do passado (Pacheco Pereira?!?). Dos valores do Instituo Sá Carneiro, também tudo metido a um canto. E é melhor nem entrar nos nomes mais polémicos. "Uma renovação de velharias" disse alguém. "Um cavaquismo sem Cavaco". Ontem os discursos críticos de Passos Coelho e Morais Sarmento no Conselho Nacional do PSD foram bastante aplaudidos. Se Manuela Ferreira Leite ganhar as legislativas, estará de parabéns com esta sua táctica, mas se perder, vai ter um partido inteiro contra si (tirando a bancada parlamentar).

Quanto a mim fico à espera da tal renovação anunciada. Fico à espera de uma verdadeira mudança. Mas, por agora, terá que ficar em stand-by.

domingo, 12 de julho de 2009

Pré-Férias


Há 6 meses ninguém poderia adivinhar como andaria hoje o PS. Mas desde as Europeias, aquilo lá pelo Rato anda mesmo uma alegria pegada. Já tive oportunidade de o constatar num comentário meu aqui. Nessa altura os ratinhos já andavam todos desnorteados com o Mário Lino a dizer que já não tinha idade para ser ministro, com o António Costa a afastar-se do governo, ao qual já pertenceu, afirmando que o Ministério das Obras Públicas estava cheio de “nódoas” e com o Manuel Pinho a resolver antecipar as suas férias com uns belos “corninhos”. O Sócrates não devia ver a hora das férias chegar, para ver se todos se acalmavam um pouco.

Mas a julgar pelos acontecimentos mais recentes, acho que o Pinto de Sousa vai ter pouca sorte e o seu maior problema não será o PSD, mas sim o próprio PS. Primeiro veio a proibição de candidaturas conjuntas (o que acho muito bem), que tem feito correr já alguma tinta. A nossa “querida” Ana Gomes, respondendo ao repto de Manuel Alegre, disse que não recebia lições de moral do poeta socialista e a “coitada” da Elisa Ferreira, começa a ouvir vozes a favor da substituição da sua candidatura à Câmara do Porto. Depois, para os portugueses em geral e os lisboetas em particular, terem a certeza do afastamento do António Costa (nº2 do PS) em relação a este governo, o próprio, não satisfeito com o primeiro ataque ao Ministério das Obras Públicas, voltou, ontem, a atacar o dito Ministério mais o Ministério da Administração Interna (se as eleições ainda estivessem muito longe, ele tinha tempo para ir atacando aos poucos todos os Ministérios e, se calhar, jurar a pés juntos que nunca fez parte deste governo). Por fim e quando parecia que os socialistas andavam a fazer as pazes com o Manuel Alegre, eis que, também ontem, o poeta socialista voltou a fazer-se ouvir e pediu que se mudem urgentemente as políticas e as pessoas do PS. O José Lello claro que não podia perder uma oportunidade para voltar a entrar em conflito com o poeta Alegre (deve ser o seu amor de estimação).

O Pinto de Sousa nem deve estar a acreditar no que se anda a passar! Teve que voltar a defender a candidatura da Elisa Ferreira, apesar das sondagens desastrosas, pois foi uma escolha pessoal (e agora o mal já está feito, era um bocado mau mudar a menos de 3 meses), preferiu realçar o que o une ao Manuel Alegre (a vontade que o PS vença), esquecendo as críticas que lhe eram dirigidas e quanto ao ataque do António Costa nem um piu!

Contudo e por incrível que pareça, o PS lá se vai aguentando nas sondagens, numas à frente, noutras atrás, mas sempre em empate técnico. E o PSD continua a não captar eleitorado. Continua na casa dos trinta e picos por cento (sensivelmente o mesmo das europeias) e o eleitorado que fugiu do PS foi quase todo para a esquerda. A culpa do “estado a que isto chegou” não é só dos governos, é também das oposições. Para mim, não é compreensível que com quatro anos e meio deste governo e com as palhaçadas que se têm sucedido, o PSD não consiga estar claramente à frente do PS nas sondagens (ou que não consiga vencer claramente o PS nas europeias, beneficiando antes do péssimo resultado que esse partido teve). O eleitorado que fugiu do PS foi o que se situa mais à esquerda, não o que se situa mais ao centro (e que o PSD deveria conseguir captar). Esse mais ao centro continua a preferir o PS e não olha ainda para o PSD como uma real alternativa de governo. Goste-se ou não da Dra. Manuela Ferreira Leite, se o PSD perder em Setembro, ou mesmo que ganhe por uma margem pequena (não podemos nunca ficar contentes se quase 60% do parlamento estiver à esquerda), a culpa será só sua (partido). Se os portugueses quiserem mesmo uma mudança, a escolha não pode ser só entre quem lá está e quem já lá esteve. Pena o partido não ter percebido isso. Mas ainda faltam 2 meses e meio, não é muito, mas em política pode mudar muita coisa.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Rescaldo do Nicola


Ambiente informal, uma meia hora de atraso em relação ao previsto (já é da praxe) e uma sala bem composta de bloggers que responderam ao convite para a “Blogotúlia”, lançado pelo cabeça-de-lista do PSD às Europeias, Paulo Rangel. O convite era para todos os bloggers interessados e O Sensitivo não o podia recusar. Éramos os mais novos da sala, é um facto, mas por esse mesmo motivo, talvez os mais interessados no futuro do nosso país e da UE.

“A Europa e o Interesse Nacional” era o tema da tertúlia e foi isso que se debateu no Nicola. Falou-se do alargamento, do federalismo, da situação económica e do modelo social europeu (não “modelo socialista europeu”, como referiu o próprio), do Tratado de Lisboa e do referendo prometido e não cumprido (falou-se muito do referendo não cumprido e da “falta de higiene democrática”), falou-se de Durão Barroso e Vital Moreia, do Banco Central Europeu, da Identidade Europeia e Portuguesa, do Casamento Homossexual, de umas forças armadas europeias, do relacionamento da UE com o resto do mundo e, por fim, da linguagem religiosa na política (ou da falta dela em Portugal). “Meu Deus!” Falou-se de tudo isto e ainda mais, em cerca de duas horas e meia! O debate foi elevadíssimo e rico (com uma boa contribuição dos bloggers também) e o Paulo Rangel procurou responder a todas as perguntas que lhe foram colocadas, algo que é raro em muitos políticos.

Assumiu-se à direita do PSD (só isso já o faz subir alguns pontinhos na minha consideração) e estando o PSD à esquerda do PPE, posicionou-se no centro deste partido europeu. Paulo Rangel defendeu que a UE se precipitou com o alargamento a leste. Na sua opinião, a UE deveria ter dado uma ajuda financeira muito maior a esses países, quando não eram membros, do que a que dá actualmente, só os admitindo no clube europeu quando tivessem atingido certos patamares. Defendeu que a prioridade do próximo alargamento da UE devem ser os Balcãs e não a Turquia. A Sérvia não deve ser mantida de parte e a Albânia e a Bósnia, por terem comunidades muçulmanas relevantes, poderão funcionar como precedentes a uma eventual entrada da Turquia. Quanto a esta última, defendeu que a partir do momento em que se iniciaram as negociações, estas devem prosseguir de boa fé. No entanto, ressalva que a Turquia está muito longe de cumprir os patamares exigidos, estando, neste momento, a recuar nalguns pontos em vez de avançar. Paulo Rangel defende parcerias reforçadas, sempre que possível, com a Turquia mas que a UE não pode ceder, em caso nenhum, em pontos fundamentais para o ingresso deste país na União. Quanto ao leste que fica agora a leste da União, Paulo Rangel defendeu que a Bielorrússia deve ser uma grande prioridade da UE e que se devem manter conversações longas e parcerias com a Ucrânia. Quanto às relações com a Rússia, Paulo Rangel lembrou João Paulo II que dizia que a Europa ia do Atlântico aos Urais. A cultura russa faz parte da cultura europeia e a UE deve tentar encontrar parcerias com este país.

Assumindo-se federalista (apoiante de uma federação e não de um estado federal), defendeu o Tratado de Lisboa como a fórmula que mais defende os pequenos e médios estados e é da opinião de que o conselho europeu deverá evoluir para um senado (com muito mais peso do que o parlamento). Apesar de não ter nenhuma objecção ou idolatria pelos referendos, acha que há casos em que os referendos são desaconselháveis, devido ao risco de manipulação. Contudo, defendeu que a adesão de Portugal à CEE deveria ter sido referendada (bem como a Constituição Portuguesa). Quanto ao facto do PSD ter prometido um referendo ao Tratado de Lisboa e depois ter voltado atrás na sua promessa, “desculpabilizou-o” pelo facto do líder que voltou atrás na promessa (Luís Filipe Menezes) não ser o mesmo que fez a promessa (Luís Marques Mendes). Já o PS, na sua óptica, não tem desculpa pelo facto do líder que fez a promessa e não a cumpriu ter sido o mesmo (José Sócrates). Mas independentemente do referendo, Paulo Rangel acha que “já existe uma constituição europeia que não é escrita”.

Paulo Rangel defendeu ainda que é necessário repensar o Banco Central Europeu e que é favorável a umas forças armadas europeias, que actuem em missões de paz, mas que nunca devem ser pensadas fora de um quadro atlântico. Apesar de não lhe fazer confusão o casamento homossexual, acha que para Portugal se deveria pensar noutra alternativa (talvez união civil?), tendo em conta que o país ainda é bastante conservador e que muitas pessoas serão contra uma igualdade na união entre pessoas do mesmo género e entre pessoas de géneros diferentes. O cabeça-de-lista do PSD às Europeias, ainda é da opinião de que Portugal não tem sido muito inteligente em aproveitar a mais valia que pode ser para a UE no relacionamento desta com a China (via Macau) e com a Índia (Goa) e nas relações da União com a América Latina (principalmente Brasil), África e Mediterrâneo. Por fim, referiu que é contra o facto de em Portugal e ao contrário da Europa (principalmente nos partidos do PPE), quase ser proibido usar termos religiosos no espaço público. O Estado deve “ser laico mas não laicizante”.

Antes da tertúlia comentei com outros membros d'O Sensitivo-Psiquiátrico que o Paulo Rangel não é o meu candidato. Não será nele que, em princípio, irei votar. Considero que este não é o melhor candidato do PSD para as europeias (que o partido precisa mesmo de ganhar se quer ter esperança de derrotar Sócrates em Setembro). Não tem grande carisma, mas verdade seja dita não é o único a “sofrer” desse mal. Contudo a iniciativa de ontem é de saudar. Mesmo não concordando em alguns aspectos, ontem saí do Nicola com melhor impressão do que entrei. Paulo Rangel pensa Portugal e pensa a Europa e não teve problemas nenhuns em partilhar connosco a sua visão. Ontem saí do Nicola a pensar que, talvez, o PSD volte a merecer o meu voto. E ontem também saí do Nicola com vontade de mais. A “Blogotúlia” de ontem funcionou (muito) melhor do que um debate televisivo ou uma entrevista num jornal. Pode ainda não trazer grandes resultados em termos mediáticos, mas esta é uma parte importante das campanhas do futuro. Houve uma maior aproximação às pessoas que querem discutir política, fossem eles os bloggers presentes na tertúlia, ou os que a acompanhavam através da emissão em directo de alguns dos blogs e que podiam comentar ou lançar perguntas a serem feitas ao nosso anfitrião. Espero que outros, dentro e fora do PSD, sigam este exemplo do Paulo Rangel.

sábado, 9 de maio de 2009

Manuela Ferreira Leite

Não é modesto como únicas bandeiras?

Parecem-lhe poucas, mas são o fulcro da decisão. É a opção que tem de ser feita. Ou se orienta o país da forma como ele tem estado a ser orientado nos últimos anos - um modelo absolutamente esgotado! - ou se muda de modelo. Parece-lhe pouco mas é muito. O meu modelo é não apostar mais na despesa pública, o que inclui investimento e consumo público mas no sector privado: exportações e investimento privado, interno ou externo. É um modelo completamente diferente.


Já que falamos desse tempo: foi ministra da Educação, com Cavaco e das Finanças, com Durão. Peço um photomaton do que foi despachar com um e com outro.

Foram momentos muito diferentes. Um deles era de quase final de mandato, o outro, de início. No primeiro caso eu era um ministro entre muitos outros, no segundo, era número dois do governo. Como titular da Educação havia a perspectiva de que não era possível mudar grande coisa porque se estava no termo do mandato; nas Finanças, num momento muito difícil e tenso, enfrentei uma situação de grande responsabilidade. Mas há um ponto comum: tanto Cavaco Silva como Durão Barroso mostraram-me sempre uma total solidariedade.


Da entrevista de MFL ao i (que me parece um jornal bstante razoável, mas eu só o vejo na net), isto são os melhores pontos. O pior é este:

Dê-me duas, três razões que ditem uma preferência no voto no PSD liderado por si e não no PS de Sócrates?

Um: o facto de considerar que, tal como tenho insistido, há aqui uma política de verdade. Detesto política de fantasias. Dois: não faço promessas que nunca pensarei executar. Três: acredito que o projecto do PSD para o país é aquele que conduzirá ao seu crescimento e ao bom combate contra a crise. O PS já provou o contrário.

A Doutora MFL que me perdoe a minha humilde opinião, mas isto não são motivos para ninguém mudar o seu sentido de voto para o PSD. É preciso coisas concretas (como por exemplo transformas as criticas ao modelo educativo imposto por Sócrates numa proposta alternativa e razoável). Acho que é necessário apresentar propostas que, ainda que difíceis, convençam os portugueses de que são necessárias. Acho que é sobretudo necessário apresentar à população um sumário daquilo que se fará, com que objectivos. A tal transparência e política de verdade ou se traduz nisso ou serve apenas como bitaite para atirar em entrevistas e cartazes, sem qualquer expressividade nos resultados eleitorais.

Creio que MFL sabe o que pensa e o que quer para o país. Falta ter a coragem de o dizer. Acho que já passámos à muito aquela fase da doença em que não queremos assustar o doente. O doente já está assustado, agora se faz favor prescreviam eram os tratamentos de choque e deixavam-no escolher em consciência.

P.S.

Sobre o TGV, acho que qualquer leitura da situação deve ser acompanhada da leitura deste post.