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domingo, 21 de março de 2010

Mas no geral concordo

Fiz um comentário a este post que entretanto pode ser que seja aprovado e apareça no The portuguese economy, mas no entretanto...

Não compreendo certas coisas. Não compreendo um blog feito por óptimas pessoas, que percebem imenso de economia, sobre a realidade portuguesa, em inglês. Não compreendo porque as pessoas que andam na rua, sejam de que estratos forem, tenham que níveis de educação tiverem, percebem muito pouco de economia. Cada uma percepciona apenas as suas dificuldades pessoais - o que é normal e perfeitamente aceitável - e esquece-se normalmente de tentar ver a big picture. É aí que devem entrar os economistas, não só percebendo eles qual é a dita big picture mas também ajudando os outros a perceber o que se passa.

Esta ajuda não vem só através de números e de cálculos, mas também da salutar discussão que se faz naquele blog. É exactamente por isso que não percebo porque está em inglês. O meu pai tem a quarta classe. O meu pai gere uma pme. O meu pai devia poder ler o que está naquele blog, mas não pode, porque está em inglês. Porque é que ele devia poder ler? Porque perceberia melhor o que se passa à sua volta, porque perceberia melhor o que o governo e outras instituições fazem e, percebendo, exigiria mais das mesmas. Não estou a dizer que exijamos, como população pouco, mas às vezes exigimos as coisas erradas.

E isto pega-se com a discussão do euro. Podemos discutir se era útil podermos, neste momento, desvalorizar a moeda ou não, mas, mais importante do que isso, é perceber que temos problemas estruturais que têm de ser resolvidos. Esses problemas demorariam a ser resolvidos cerca de 10 a 20 anos, se começássemos amanhã. As nossas empresas não são suficientemente competitivas, porque têm custos demasiado elevados, a maioria deles associados à elevada carga fiscal e à baixa produtividade dos seus trabalhadores.

Não vamos ficar produtivos de hoje para amanhã, lamento. Vai demorar tempo e, no entretanto, precisamos de manter as empresas vivas até chegarem esses bonitos dias.

Há maneiras de as manter vivas. Claro que há. Risquemos só os subsídios porque estou um pouco farto deles, mas, mesmo assim, podíamos baixar impostos (ups, não podemos) ou… Desvalorizar a moeda. O euro é-nos super útil, não digo que não, mas que nos faz falta essa pequena arma da política monetária, faz.

Perguntem a quem exporta…

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Abusos

Chamar ao primeiro-ministro, ao presidente do supremo-tribunal e ao procurador geral da republica "estado de direito" é, talvez, um pouco abusivo. Ainda faltam alguns dias para o carnaval...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Resposta a um post ali de baixo da colega lapiseira.

Dado que ninguém te chegou a responder a isto (e duvidando que queiras mesmo resposta mas só para explicar o ponto de vista do FMI [e o das agências de rating - essas coisas governadas por porcos capitalistas]):

1) Mantendo o plano de gastos a que costumamos chamar orçamento (se bem que no meu, cá de casa, paramos quando as despesas estão a 90% das receitas, enquanto que no nosso, cá do país, paramos quando as despesas estão a 108,3% das receitas e continuamos durante vários anos a fazer o mesmo), é necessário aumentar as receitas de alguma maneira.

2) As receitas podem aumentar de duas maneiras. Ou se aumentam os impostos ou se aumenta a base tributável (ou seja, os particulares geram mais receitas [esses porcos capitalistas teriam de ter lucros desmedidos, dos quais o estado iria buscar uma maior parte, e sustentariam os devaneios dos do costume]).

3) Aumentar os impostos é a maneira mais fácil. Dizem-se uns quantos sound bytes e a coisa passa porque a esquerda modernaça quando vai ao bairro e ao chiado ainda vê uns quantos a andarem de porshe e ferrari. Isso e porque ainda há aquela loja da louis vuitton na avenida da liberdade e mais umas coisas do género. Porcos Capitalistas.

4) Tentar aumentar as receitas é a maneira mais difícil. Normalmente acontece se estivermos em expansão ou se... Reduzirmos os custos. Como não podemos baixar os impostos e como, tendo em conta o ponto de vista do FMI, não convinha muito aumentá-los (só para não perdermos mais daquela coisa chamada competitividade, vá, não sejamos mauzinhos), a lógica adoptada é a de que se devem diminuir os custos.

4) Em termos de percentagem das receitas os salários são dos custos mais altos para os empresários portugueses.

5) FMI conclui gentilmente que se deviam baixar salários, esperando assim aumentar a nossa competitividade e resolver algum do problema do défice (ainda que não o da dívida pública).

Gostava só de dizer que não é preciso preocuparem-se. Eu, conhecendo os portugueses, enquanto não vir os da minha idade deixarem de ter 2 e 3 telemóveis e os pais destes deixarem de ter 2 e 3 carros, não me assusto. Ainda no outro dia a minha mãe me contava a história de uma família em grandes dificuldades: deixaram de ter 3 empregadas em casa para terem só uma 2 vezes por semana. O Senhor família continua a andar de Mercedes.

É Portugal pessoal. 'tá tudo bem man.

Passo a explicar

O problema disto tudo é que ainda há quem acredite no que certas pessoas dizem. Não fazem as contas, não se informam, limitam-se a acreditar.
Isto mostra o estado a que chegou a educação em Portugal. Podiam haver mais uns a questionar o óbvio para além dos suspeitos do costume.
O facto de termos deixado chegar a educação a este ponto mostra o estado a que chegaram as instituições que lideram este país. Têm de estar muito pior, muito mais corroídas por dentro. Uma dessas instituições está directamente associada à justiça. E isso explica o estado a que chegou a justiça.

O problema disto tudo é que não chega dizer os problemas, carece-se de soluções.
O problema disto tudo é que quando alguns hereges avançam com as soluções necessárias, difíceis, são todos destituídos ao estatuto de Medina Carreira.

No fundo no fundo o problema disto tudo é o Medina Carreira, o Mário Crespo e mais alguns como nós, que não nos conformamos com isto tudo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Ameaças vãs

Sócrates não quer que Alegre ganhe. Alegre é de esquerda, é ideologista, tem princípios. É, em suma, tudo o que Sócrates não é. Podemos criticar-lhe o pensamento, as ideias, mas não vejo qualquer motivo para lhe criticarmos o percurso. É o que é, tal como Álvaro Cunhal foi o que foi, e, da mesma maneira que critica a direita também será capaz, penso eu, de criticar alguma da esquerda soarista/socratista (cof chavez cof).

Dito isto, Alegre seria péssimo para o país. Ele sim, da cadeira presidencial, obrigaria o governo a subir salários que não podem ser subidos e a tomar medidas que não podem ser tomadas. Não é que não haja espaço para estas medidas, até havia, se se deixasse cair tgv's, aeroportos e auto-estradas. Cá está, contra sócrates, coelho, soares e os restantes do costume.

Mas... Esperem. Isto era bom... É que Alegre teria à esquerda a autoridade que Cavaco não tem para impor isto.

Fiquei confuso agora.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Já não vi este filme?

Já não tínhamos apostado no comércio com África e as antigas colónias e chegado à conclusão que o que valia mesmo a pena era exportar para a europa (mercado em que existe um maior número de consumidores com poder de compra elevado)? Há algum motivo para irmos cair em erros antigos?
É que uma coisa é determinada empresa, ou determinado ramo de actividade, sentir essa necessidade. Outra é o estado vir com a sua grande mão orientadora virar-nos para Angola e brasil.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Somos assim

Portugal é um país ás avessas. Somos assim. Um senhor que a maioria dos escribas deste blog valoriza bastante dizia no outro dia que, quando esteve no governo no pós 25 de Abril, aceitou esse lugar para tentar garantir a manutenção da democracia em Portugal. Sim, Portugal estava mal. Sim, o país precisava que lhe fizessem várias alterações. Mas mais importante do que tudo isso era impedir que caíssemos numa nova ditadura, desta vez de esquerda, e, por isso, esse senhor aceitou o lugar e fez o que achou por bem fazer.
Isto vem a propósito de um facto. 36 anos depois do 25 de Abril, os partidos e os políticos portugueses ainda não sabem viver em democracia. Há algum tempo Manuela Ferreira Leite quase suplicou a suspenção da dita cuja durante 6 meses para pôr o país em ordem. Hoje em dia Sócrates, mais sábio, reclama da falta de disponibilidade da oposição para aprovar as medidas que ele quer ver aprovadas. Neste aspecto ambos são iguais, pequenos ditadores com a sua própria visão para o país que sabem não poder ser alcançada com o acordo da outra parte.
Alguns de vocês poderão discutir a arquitectura do sistema, e se esta nossa veiazinha ditatorial advém ou não daí, mas o que é certo é que ela existe. Também é triste. Portugal está num estado deplorável. Quem passe a Vasco da Gama em direcção a Lisboa verá do seu lado esquerdo, logo a seguir ao parque das nações, um bairro pobre comparável ao de um qualquer país terceiro mundista. Isto, por si só - esquecendo tudo o resto que está mal, esquecendo os riscos, esquecendo o futuro que se percepciona - deveria ser suficiente para levar a todos os acordos possíveis.

O país carece de discussão. Precisa que os "iluminados" tenham coragem para fazerem mais do que criticar. Precisa que se assumam medidas e caminhos alternativos. Precisa de discussão. Precisa que se discorde, é certo, mas apenas para chegar a uma solução abrangente, aceite pela maioria. Veja-se o caso da avaliação de professores. Toda a gente a acha necessária, só se discorda nos moldes. Discutam-se então os modelos e avance-se. Mas avance-se.

Este país corre o risco de parar, porque alguns, no poder, não conseguem mobilizar todos. Os líderes dos dois maiores partidos portugueses já confessaram, explicitamente ou não, que só conseguem governar quando a sua vontade é lei. Talvez por isso nos deixem caminhar inadvertidamente para uma situação em que, anteriormente, o povo exigiu uma ditadura. Talvez esperem assumir esse lugar quando a ocasião surgir.
Estão enganados. Não serão eles. E estes trinta e tal anos pelos quais alguns tanto lutaram correm sérios riscos.

É pena. Mereciamos melhor.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

18 de Dezembro de 2009

Só queria dizer desde já. Este país está a prazo. Não será muito grave se nos próximos 2 anos a mão estrangeira for pesadíssima e nos obrigar a fazer o que tem de ser feito, gravíssimo daqui a 10 anos se forem medidas pontuais.

Vão assegurando lugares lá fora...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Hoje acordei assim...

Pronto a contratar alguém para pesquisar cada palavrinha dita pelo Medina Carreira e publicar neste blog. Tipo compilação de melhores momentos. No final fazíamos um embrulho e oferecíamos ao ex-namorado da Fernanda Câncio.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cheira-me aqui a fumo.

O que é estranho em Portugal não é que se arquivem tantos processos, nem que se iniciem tantos processos. O que é estranho é que haja um padrão de um certo tipo de processos que aparece e desaparece quando já pouca gente se lembra deles.

Onde há fumo, há fogo. Não consigo ver o fogo, mas deve ser por causa do fumo que me tapa os olhos de tão imensa quantidade...

domingo, 29 de novembro de 2009

Alegorando a situação que por aí se passa

Há uma imagem que não me sai da cabeça... Uma história até... É a daquele filho mimado que pede tudo, tudo aos pais, e os pais vão dando tudo, tudo. O filho vai crescendo mandrião, preguiçoso e folgado e os pais, fingindo não ver ou pondo a culpa no nosso deficitário sistema de educação, continuam a dar-lhe tudo, tudo, tudo. Um dia os pais deixam de o poder sustentar, precisam que ele o sustente a eles, e ele... Não é capaz.

Continuemos a injectar dinheiro nas economias criando liquidez como temos feito e não se venham depois queixar que o vizinho maldizente aqui presente não avisou.

Não, este post não é apenas para o Dubai...

sábado, 14 de novembro de 2009

Era giro que alguém me explicasse isto

Eu só gostava de saber o que é que é preciso para consciencializar um país de que tem que mudar a sua atitude. Eu sei que Portugal é um país esquisito, de gente preguiçosamente tranquila e astutamente reconciliadora em que, passe o tempo certo, e até o facto de "o-amigo-ter-sido-apanhado-na-cama-com-a-minha-esposa-por-mim-próprio" é sábiamente considerado como solucionável através de uma meia dúzia de minis bebidas a ver o Benfica.

O Exmo. Sr. primeiro-ministro é, ao que parece, apanhado em meia dúzia de escutas em posições menos confortáveis com aquilo que pode ser considerado como a mulher de um eleitor, que é a senhora "Honestidade e Integridade". Mas isto resolve-se. Por amor de deus, todos nós nos lembramos da trabalheira que foi destituir aquele gajo do PSD lá por aquelas embrulhadas em que ele se meteu a criticar a comunicação social e a dizer que batiam nele como num bebé numa incubadora. Isso não se faz a um engenheiro. É preciso é beber-se meia dúzia de minis. Como ainda não nacionalizámos a fábrica da cerveja a opção é por aumentar uns salários, construir umas estradas, umas linhas de comboio, um aeroporto, e 'tá feito...

Se o tipo volta a ser apanhado... Olha, já passou uma, também não é agora que nos vamos chatear não é? Aliás, oh amigo, se calhar da próxima o amigo avisa e evitamos esta maçada de suspender o acto e tal... Eu chego mais tarde, já ninguém se lembra e a coisa resolve-se sem chatearmos ninguém. Não se preocupe, eu deixo-lhe as minis no frigorífico, para estarem bem fresquinhas quando o amigo chegar.

A sério país. Do que precisas tu para ganhares juízo?

Adenda: Parece que o João Miranda se lembrou da mesma metáfora que eu...