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terça-feira, 28 de setembro de 2010

"Sócrates e Teixeira dos Santos são incompetentes!"

Algures em Fevereiro deste ano, Sócrates disse que ia cortar na despesa e não aumentaria impostos. Ora, o que fez Sócrates desde essa declaração? Aumentou os impostos em Maio, e prepara-se para fazer um segundo aumento da carga fiscal. Cortar na despesa? Nem pensar. Isso deve ser "neoliberalismo". Por pura incompetência e por pura cobardia (cortar na despesa implica tocar em eleitores tradicionais do PS, e implica tocar nos boys do PS), o governo é incapaz de meter na ordem os ministérios, os institutos, as câmaras, as empresas públicas, etc. Quem é que paga este despesismo pornográfico dos boys e da função pública? Claro, o idiota do contribuinte. As idiotas das empresas já estão com a corda na garganta. As idiotas das pessoas que trabalham-mais-para-ganhar-mais, mas que nunca vêem a cor desse dinheiro extra, porque a máquina fiscal não deixa. "Para quê trabalhar mais?" é um desabafo que se ouve por aí.

João Cantiga Esteves (ISEG) tem razão, ou seja, um novo aumento de impostos significa apenas uma coisa: Sócrates e Teixeira dos Santos são incompetentes.
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Com a verdade nos enganam!


O título pode parecer contraditório mas daqui a umas linhas fará todo o sentido. Há poucos dias, estava eu a navegar pelo facebook, quando me deparei com um post de um membro da JS que anunciava que a dívida de Portugal ao exterior tinha caído, no segundo trimestre do ano, cerca de 3.6 mil milhões de euros, uma quebra recorde de 1.9%! A dada altura até se falava em forte capacidade de recuperação. Para os mais distraídos isto será estupendo e, assim sendo, parece que o Zézito Sócrates até está a fazer um bom trabalho e não faz sentido nenhum o alarmismo todo que continua a haver em relação ao nosso país. Contudo continua a haver esse mesmo alarmismo, sendo sinal de que afinal as coisas não estão assim tão bem como à primeira vista aquele comentário pode fazer parecer. E se há coisa que Portugal não mostra, de todo, é uma forte capacidade de recuperação. Ora vamos lá ver o que ficou por dizer.

É verdade que a dívida externa recuou no segundo trimestre deste ano? Sim, é verdade, mas o que ficou por dizer é que esse recuo deu-se porque o Estado está a financiar-se menos no exterior e a aumentar o financiamento interno. Se formos olhar para a dívida pública total, essa, continua a aumentar descontroladamente! Aliás, o descontrolo é tanto que entre os países com os quais nos costumamos comparar, devido às respectivas situações (Espanha, Irlanda e Grécia), Portugal é o único que ainda não está a conseguir diminuir a sua despesa! Até a Grécia o está a conseguir fazer! Ainda no domingo que passou o Prof. Marcelo lembrou alguns números que denunciam esta perigosa situação. Em relação ao déficit de Janeiro a Agosto deste ano, comparado com igual período do ano passado, a Grécia baixou 32%, a Espanha 41%, a Irlanda 35% e Portugal aumentou 7,4%. Em relação à despesa total do Estado, a Espanha baixou 2,5%, a Grécia 10,9%, a Irlanda 19,3% e Portugal aumentou 2,7%!


E todos sabem que esta situação não se inverte porque o Governo não quer fazer o que é necessário. E até já todos sabem o que é preciso fazer só que isso não dá votos, nem popularidade. É mais fácil aumentar os impostos a todos do que começar a cortar nas despesas e, pelas notícias dos últimos dias, parece que o Governo continua a apostar, mais uma vez, no aumento do IVA. Por cá quando se começa a falar em cortar (e não em congelar) salários ou em cortar os 13º e 14º mês, cuidado que vêm aí os neoliberias! Já alguém reparou que de todos os chamados PIGS, Portugal é o único que ainda não cortou nos salários da função pública? Aqui ao lado, em Espanha, o grande amigo do Zé Sócrates também já cortou nos salários e não consta que ele seja um perigoso neoliberal. Na Irlanda os cortes chegam até aos 10% e mesmo 13% em alguns casos! Cá por terras lusas basta os polícias fazerem uma manifestação que são logo promovidos, como aconteceu recentemente! Com esta maneira de actuar, facilmente se percebe por que é que a despesa pública portuguesa continua a aumentar e não a diminuir, ao contrário do que já está a acontecer nos restantes países. Basicamente o Zé Sócrates não está a fazer absolutamente nada para corrigir a nossa situação e está, verdadeiramente, a marimbar-se para nós! (Ou como ele disse ainda a semana passada: Há muito tempo para falar da dívida!) Esta frase foi a cereja no topo do bolo! Só faltou dizer para não o maçarem com estas coisas! Ele faz de nós uns autênticos parvos e o pior é que há quem vá atrás!


E, por fim, chegamos à parte da forte capacidade de recuperação. Não consigo ver de que recuperação é que se poderia estar a falar. Da portuguesa não seria de certeza já que Portugal vai continuar a ser dos países europeus com crescimento económico mais anacrónico. Daqui a mais 3 ou 4 anos até vamos ver outro país do leste europeu a ultrapassar-nos! A República Checa, desta vez. E isto tira qualquer português do sério! A mim, pelo menos, tirou-me, quando vi aquele comentário altamente enganador.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Uma boa notícia

Antes que se dê início ao tradicional chorrilho de comentários saloios e nacional-cretinistas sobre o facto do blogue estar em inglês e não português, note-se que o seu principal público-alvo não é o português - é um projecto que parte de um conjunto de economistas e historiadores portugueses com uma perspectiva internacional, que visa dar a conhecer (e discutir) o que se faz cá dentro ao resto do mundo. Sem mais palavras, apresento um promissor blogue que nem hesito em recomendar: The Portuguese Economy.

domingo, 17 de janeiro de 2010

O Titanic a afundar e a orquestra a tocar

"De acordo com as notícias desta semana, o governo está empenhado na actualização do regime jurídico do casamento. O PSD está empenhado em ouvir escutas telefónicas para aferir o carácter moral do primeiro-ministro. O PCP e o BE estão empenhados em que os mesmos magistrados que não conseguem guardar o segredo de justiça possam ter acesso às contas bancárias de qualquer pessoa, e a persigam se acharem que ela tem mais dinheiro do que devia. O CDS-PP está empenhado em tornar-se imprescindível nos jogos políticos da Assembleia da República. E os deputados estão empenhados em insultarem-se uns aos outros.

Se me permitem, e se não os distraio demasiado destes afazeres, gostava de recordar aos nossos governantes uns pequenos detalhes. 548 mil portugueses estão desempregados. Cerca de 1,850 milhões de portugueses recebem pensão de velhice, 300 mil recebem pensão de invalidez, e 380 mil recebem o rendimento social de inserção.
Para apoiar estes 3,078 milhões de portugueses, trabalham somente 5,020 milhões de portugueses.
"

Ricardo Reis, Jornal i


Recomendo a leitura do resto do artigo, cujo autor é um dos mais eminentes economistas portugueses vivos que, como é óbvio, não se encontra em Portugal, e até é de admirar que dedique parte do seu tempo a escrever crónicas ocasionais sobre o nosso país para o Diário Económico e outros seleccionados órgãos da imprensa nacional. É cada vez menos de admirar: efectivamente, Portugal já se tornou, desde as infames intervenções do FMI em 1977 e 1982, um caso patológico para a ciência económica sobre o qual muita tinta tem corrido. Com uma notável excepção durante as duas legislaturas de Cavaco Silva (que, ao aceder ao Governo como Primeiro-Ministro, ainda estava fresquinho do gabinete de estudos do Banco de Portugal), os sucessivos governos têm-se mantido impassíveis a recomendações de política emanadas dos mais diversos organismos internacionais. Seria de esperar que o fantasma de intervenção do FMI que se materializa junto da Irlanda e da Grécia forçasse o actual governo a adoptar uma atitude mais realista, e mais aberta às instruções que têm sido gentilmente oferecidas. Uma oportunidade de ouro foi perdida em 2007, quando um estudo relativamente detalhado sobre o ajustamento (falhado) português na zona Euro foi realizado pelo actual economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard. Não apenas as recomendações foram ignoradas, como o Banco de Portugal que, inicialmente, tinha sugerido a elaboração do estudo, impediu a sua publicação durante vários meses.
Não é de admirar, num país em que as aparências valem tudo, a forma prevalece sobre a substância, que as inconveniências sejam silenciadas. De facto, que valor acrescentado gera a este nosso governo göbbelsiano (já amadureceu o orwellianismo) um qualquer documento cuja primeira oração seja The Portuguese economy is in serious trouble (...)?

domingo, 29 de novembro de 2009

Alegorando a situação que por aí se passa

Há uma imagem que não me sai da cabeça... Uma história até... É a daquele filho mimado que pede tudo, tudo aos pais, e os pais vão dando tudo, tudo. O filho vai crescendo mandrião, preguiçoso e folgado e os pais, fingindo não ver ou pondo a culpa no nosso deficitário sistema de educação, continuam a dar-lhe tudo, tudo, tudo. Um dia os pais deixam de o poder sustentar, precisam que ele o sustente a eles, e ele... Não é capaz.

Continuemos a injectar dinheiro nas economias criando liquidez como temos feito e não se venham depois queixar que o vizinho maldizente aqui presente não avisou.

Não, este post não é apenas para o Dubai...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Coisas que não devem passar despercebidas


“A agência de ratings internacional Moody's acaba de colocar a dívida portuguesa em alerta negativo.Numa nota publicada pela agência Reuters, a agência mudou a perspectiva do rating Aa2 da dívida da República Portuguesa de estável para negativa.Segundo a Moody's, esta alteração «reflecte não só os desafios económicos estruturais que o país enfrenta, e que têm sido exacerbados pela crise económica global, mas também a aparente falta de motivação dos responsáveis políticos para os combater».”

O resto da notícia aqui. Espero que os senhores da imagem comecem a fazer algo para que daqui a uns meses Portugal não veja o seu rating cortado.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Coisas que os Portugueses deviam ver e ouvir

Não consegui encontrar o vídeo com a entrevista que o Prof. Medina Carreira deu ontem ao Mário Crespo na SIC Notícias, mas fica aqui a entrevista dada ao José Gomes Ferreira a meio de Agosto.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Nem mais


"O maior disparate é deduzir da crise a necessidade de mudar o sistema. Equivale a recomendar às vítimas de um desastre automóvel que andem de burro." João César das Neves.

domingo, 5 de julho de 2009

Sedes

A conferência da Sedes começou com uma breve apresentação do Prof. Luís Campos e Cunha desmarcando a organização e a conferência de tendências politicas ou eleitoralistas, salientando este que os objectivos da Sedes passavam pela discussão do estado da democracia e do nosso país e não das políticas deste ou daquele governo. Claramente foi uma declaração a avisar os media de que não iriam ser feitos ataques políticos durante o dia e provavelmente teve resultado, dado que depois de almoço a maioria das câmaras se tinha ido embora.
A conferência propriamente dita começou com uma palestra bastante interessante do Prof. Robert Findlay em que este fez uma breve análise da globalização e dos seus mais de 500 anos de história, considerando os portugueses como “culpados” desse fenómeno. No final fez uma breve análise do estado económico do mundo e nomeou alguns países que ele considera que terão desempenhos económicos de excelência no futuro. Rússia, Índia, China, Brasil, EUA e tigres asiáticos foram os países destacados. Na sessão de perguntas que se seguiu o Prof. João Salgueiro abriu as hostilidades (no seu habitual tom provocativo) com uma pergunta sobre a Europa (que não tinha sido referida naquele conjunto de potências) à qual Robert Findlay não respondeu, preferindo ressaltar o papel da Europa enquanto veículo democratizador. A ideia que fica é que a Europa continuará, para o Prof., a crescer a taxas mais ou menos constantes e baixas e que o seu papel no mundo é o da educação e mediação e não o de liderar a mudança e o desenvolvimento. A pergunta seguinte foi sobre a opinião do Prof. sobre África e foi respondida com lugares comuns (se os problemas democráticos forem resolvidos, se houver instituições credíveis, etc.), assim como a última pergunta, da lavra do Eng. Henrique Neto.
Seguiu-se um breve intervalo para café e a intervenção do Prof. João Salgueiro sobre a crise e, em especial, sobre a economia portuguesa. No seu estilo habitual o Prof. considerou que os políticos portugueses têm dado “doping à economia” e que atravessamos uma grave crises estrutural e de competitividade, fazendo um apelo para que fossem ali discutidas durante o dia formas de ultrapassar essa crise. O Prof. falou de alguns erros cometidos como o facto de pensarmos que somos demasiado pequenos para sermos competitivos, ou o de pensarmos ser demasiado periféricos, assim como de alguns complexos, nomeadamente a dependência da UE, – “Portugal não pensa sem ouvir a União Europeia”, “Queremos ser mais europeus que os outros” –, ressalvando no entanto que essa dependência não era unicamente portuguesa mas que representava um problema que devia ser resolvido. Referiu-se ainda ao facto de o objectivo principal da adesão portuguesa à União europeia não estar a ser cumprido desde o início do século (convergência para a média europeia) e de ninguém falar disso, – “Eu não queria dizer trapaça porque acho muito forte, arranjem-me aí uma palavra mais simpática” – dizendo aí que se a banca portuguesa tivesse convergido para a média europeia em 30 anos, o dito objectivo para Portugal, já teria sido comprada pelos franceses.
Outro dos complexos referidos foi o da maioria dos portugueses contra os empresários e empreendedores – “Os empreendedores são uma espécie sujeita à caça sem reserva” – e disse que os nossos empreendedores não eram piores do que os do resto da Europa, pois “não vejo nenhuma fila em Badajoz para entrar em Portugal”. Referiu-se ainda ironicamente ás directivas europeias de que Portugal está sempre à espera dizendo que não é preciso haver preocupações com a estabilidade democrática em Portugal pois “há uma directiva europeia que proíbe os golpes de estado”. Seguiu-se nova sessão de perguntas a que o Presidente da associação de bancos respondeu da mesma maneira, ressalvando o nosso problema de competitividade e a necessidade de o resolvermos. Saliento no entanto a sua resposta a uma pergunta em que falou dos seus tempos de governação, dizendo que quando esteve no governo a sua missão não foi, nem podia ser, alterar os problemas estruturais do país, mas sim aguentar o governo de modo a que se pudesse fazer a revisão constitucional. Fez a campanha seguinte porque achou que deveria, em coerência com as ideias defendidas, fazê-la, mas que não gostou do que viu ao nível dos partidos já nessa altura. As palavras foram mais ou menos as de que já tinha saído do governo de Marcelo Caetano quando percebera estar iludido ao pensar que ele faria aquilo que mais tarde foi feito em Espanha, e que, nessa altura, decidira não participar em mais nenhum governo. Só o período de excepção em causa o fez voltar atrás.
O estudo sobre a democracia ficará em breve disponível no site da sedes (eles recomendam que sigamos o blog pois poderá haver algumas intervenções lá) portanto não me vou alongar grandemente sobre o mesmo. Basta dizer que os portugueses acreditam que a democracia funciona, só não acredita nos seus agentes políticos no momento nem que a sua voz seja ouvida por estes. Os portugueses não acreditam igualmente que a justiça não seja influenciada pela política e duvidam também da total isenção das televisões (será por isto que o congresso teve tão pouca repercussão mediática?). Das perguntas feitas a Pedro Magalhães, autor do estudo, ficaram no ar algumas sugestões para o futuro, nomeadamente a do estudo de quanto valoriza cada português a democracia.
Chegados finalmente à mesa do novo contexto económico, cujos participantes foram escolhidos por Vítor Bento, foi curioso notar como desde o início o tom dos oradores foi diferente. O Professor Silva Lopes começou, falou sobretudo da crise conjuntural internacional e portuguesa, defendendo o investimento útil (importa ressalvar a palavra útil, porque não a vi no jornal que li à bocado) que não tem sido feito nos últimos anos. Defendeu igualmente a subida do investimento para o nível de 20% (está nos 18%, mas já esteve perto dos 40, sem que tenhamos tido melhores resultados) e disse sobre o défice e o endividamento que mesmo ele, que sempre alertou nos últimos anos para a necessidade premente de resolver esses dois problemas, achava que Portugal devia investir mais, chamando a atenção que o actual défice previsto para Portugal é inferior à média prevista para a UE pela OCDE. Há pouca margem de manobra, é certo, mas deveríamos utilizá-la, foi essa a ideia base a reter, sendo que investimentos como o TGV são considerados dispensáveis, pelo seu cariz internacional e pelo tempo elevado que leva a concretizar. “As senhoras que vão todos os dias ao cabeleireiro”, foi a expressão utilizada para sintetizar a sua ideia do que seria o bom consumo e investimento (em bens nacionais e dirigido ás PME).
O professor Daniel Bessa optou por focar-se inteiramente na crise estrutural. Foi bastante duro com as politicas seguidas nos últimos anos e defendeu a necessidade urgente de Portugal se tornar mais competitivo. Perguntou porque não se via, por exemplo, a saúde como um transaccionável, e esteve, basicamente, na mesma linha que o professor João Salgueiro. Chamou no entanto a atenção para o seu desacordo com os números do Professor Silva Lopes sobre o défice, dado que no primeiro trimestre houve uma quebra de receitas de 20% e mesmo que esta fique apenas em 10% no total do ano o défice, tendo em conta essa queda, nunca poderá ficar abaixo dos 7%. “Entre 7 e 14 há muito espaço” disse, e serviu-se disso para se opor à subida do investimento e para pedir cuidado com as contas públicas pois o problema estrutural das mesmas “não foi corrigido nos últimos 5 anos”.
O nosso bem conhecido José Tavares fez uma apresentação mais técnica, sendo que por mais técnica se entende quase uma aula, em que focou alguns aspectos interessantes, nomeadamente o da crise ser uma oportunidade para reformas profundas, pois o custo de oportunidade de as fazer decresce, salientando no entanto que duvidava que houvesse espaço para isso em Portugal. Sobre a crise do sistema financeiro, já debelada, considerou-a como natural e como o instrumento que permitia aferir sobre a utilidade dos novos produtos financeiros, dizendo que os maus foram recusados e afastados e que os bons, que criavam valor, ficariam.
A sessão de perguntas que se seguiu foi aberta por uma dura intervenção do Professor João Salgueiro, pedindo que a discussão se focasse na crise estrutural portuguesa e criticando os participantes por não terem estado presentes de manhã e perderem tempo a repetir algumas coisas que já tinham sido ditas (nomeadamente por ele próprio). Respondendo a algumas palavras do Professor Silva Lopes sobre a necessidade de mais regulação do sistema financeiro disse que no caso português já havia demasiada regulação e que era preciso ter cuidado com isso, baseando a sua resposta no facto de os bancos que tinham tido problemas em Portugal os terem tido devido a um caso de policia e a má gestão e não à crise financeira e à exposição a produtos tóxicos propriamente ditos. Voltou a falar do cuidado a ter com as ditas “normas europeias” que viriam regular tudo, revelando o seu temor de que se possa verificar um excesso de burocracia tal que paralise a actividade bancária.
Os participantes tiveram 5 minutos cada para tentar responder brevemente a todas as perguntas colocadas e, desses 5 minutos, destacaria a última intervenção do Professor José Tavares, falando finalmente da situação portuguesa, questionando a industrialização defendida por alguns dos participantes (pois para sermos competitivos na industria teríamos de baixar salários) e falando do caso Irlandês em que, há 5 anos, foram recusados projectos de produção automóvel como o da Auto-Europa pois não era aquilo que eles consideravam o lugar da Irlanda produzir. Nem o da Irlanda nem o da Europa aliás, segundo os próprios Irlandeses, pois os custos de produção seriam sempre muito mais elevados do que noutros países do mundo.

O Galacho é livre de comentar longamente e preencher muita coisa de que a minha cabeça leviana se esqueceu. Agora com licença, cumpri a promessa e vou dormir. Até daqui a um mês.