segunda-feira, 31 de maio de 2010
As presidenciais
Temos então um candidato da esquerda com o apoio do PS, do BE e dos renovadores comunistas contra um candidato da direita com o apoio do PSD e do CDS. Pensar também que poderá surgir outro candidato da área da direita com o apoio dos católicos conservadores é uma ideia de delirantes como o Santana Lopes. E não deverá acontecer porque não (hoje estou numa de reduzir as justificações ao nível das de uma criança). Dúvidas houvesse, Bagão Félix já disse que não estava para isso. Tudo como havia previsto, portanto.
Tudo não. Em Janeiro não havia o factor Nobre. Não fazia parte da equação e é daquelas coisas inesperadas que vão tornando isto engraçado. Devido a Fernando Nobre, o PC está a aproveitar para fazer birra por ter sido marginalizado por Alegre e está numa de estragar a unanimidade da esquerda que se previa. Deverão mesmo avançar com um candidato próprio mas o tempo dirá se desistem antes do acto eleitoral, como Jerónimo fez a Sampaio há precisamente 15 anos, quando este se impôs.
E Nobre é, até ver, a pedra no sapato tanto de Cavaco, como de Alegre. Nobre é mesmo independente, mais do que Alegre era em 2005. Não tem apoio de nenhum partido, nunca pertenceu sequer a nenhum e no ano passado conseguiu ser mandatário do BE para as Europeias e do António Capucho (PSD) para a autarquia de Cascais. Está mais conotado com a esquerda mas também é simpatizante da causa monárquica. E Nobre consegue, assim, ser o candidato com um perfil mais semelhante a um Rei que se perfila para o próximo acto eleitoral. Basta começar a falar com algumas pessoas e vemos que vai buscar simpatizantes à direita e à esquerda. Nobre é bom para quem não quer Cavaco e também é bom para quem não quer Alegre. E só a título de curiosidade é o candidato com mais apoiantes no facebook. Poderá ser o vencedor das próximas eleições? Não acredito muito nisso, mas desde já uma previsão: se por acaso conseguir ser o segundo mais votado e conseguir ir a uma segunda volta, será quase de certeza vencedor. Pelo menos já conseguiu a proeza de tornar estas eleições mais interessantes e sempre a dignifica um pouco mais, ao ser alternativa à luta da esquerda vs. direita. Para um monárquico como eu, é impensável o mais alto representante da Nação estar refém dessa luta e do sistema partidário.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Déjà vu?

Manuel Alegre assumiu o óbvio: está disponível para se candidatar, mais uma vez, à Presidência da República. Mais uma vez avança e mais uma vez o PS não parece estar muito feliz com este seu avanço. Esta situação poderia em tudo ser igual à de 2005 e então sim, seria um completo déjà vu. Contudo, o Manuel Alegre sabe que, desta vez, o PS não terá outra escolha senão aceitar fazer de si o seu candidato. E o ex-deputado poeta bem pode agradecer muito ao seu melhor amigo, que longe de ser o nosso "crido" "engenheiro", é o nosso trotskista favorito, Francisco Louçã. Esta inédita "esquerda unida" só é possível graças ao prolongado namoro destes dois. Não houvesse apoio do BE e o PS teria uma desculpa para apresentar qualquer um outro candidato. Não seria um candidato de toda a esquerda, mas também não havia apoio de mais nenhuma esquerda e isso serviria como desculpa para o PS. Esse candidato não derrotaria Cavaco de certeza, os resultados iam ser em tudo idênticos aos de 2006, mas tudo seria melhor a ter lá Alegre. Sim, mesmo as zangas de comadres de Cavaco/Sócrates seriam melhor do que as hipotéticas de Alegre/Sócrates. Mas agora há um apoio de outra esquerda. E tinha logo de ser do BE, que tem mais eleitorado, força e aceitação nos jovens do que o PC. O PS mais moderado não terá outra possibilidade do que aceitar o candidato do Bloco e da ala mais à esquerda do PS. E o PCP, mais uma vez por arrastamento (como na aprovação dos casamentos homossexuais), não terá outro remédio do que também se juntar à fotografia da esquerda, para não ser acusado, no futuro, de ser o responsável pela vitória do Cavaco à primeira volta. Correndo o risco de me enganar, este ano haverá uma campanha esquerda vs. direita com apenas um candidato por cada lado (aqueles que nem chegam ao 1% não contam). É esperar para ver.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Em tempos de crise, voltemo-nos para a poesia
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
(...)
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
(...)
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
(...)
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
"
Excertos da Trova do vento que passa, de Manuel Alegre. Negritos meus.
domingo, 20 de setembro de 2009
Há mais tons para além dos avermelhados e alaranjados

Pois é. Parece mentira, eu sei! Vivemos num país cada vez mais enviesado à esquerda. Nas últimas eleições europeias a nossa extrema-esquerda teve das votações mais expressivas na Europa (enquanto, lá por fora, o peso destes partidos no Parlamento Europeu diminuiu). Temos tanta sorte ou azar, que o maior partido do centro-direita português está à esquerda do seu partido europeu (palavras do próprio Paulo Rangel). E queremos mudar? Aparentemente e para algumas pessoas, não! A solução é continuar tudo na mesma!
Ontem o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que votar no CDS é “música celestial” e que “quem estiver farto (leia-se de Sócrates) tem que votar massivamente no PSD”. Meu caro, lamento imenso mas tenho que discordar destas suas afirmações. E, felizmente, não sou o único, caso contrário as sondagens andariam a dar valores na casa dos 60%-70% ao PSD, já que essa é, sensivelmente, a percentagem de votantes que não deverá escolher o PS.
Não compreendo. Todos afirmam que a nossa democracia é cada vez mais uma anedota. Que há “asfixia democrática”. Que não há regeneração da classe política. E a solução para o Professor (bem, se fosse só para ele já não era mau) é reduzir o país ao Bloco Central. É reduzir os partidos em que se “deve” votar ao PS e ao PSD. A solução é andar à volta do socialismo e da social-democracia. Mas será que já não chega? Andamos há 35 anos à volta desta política!
E não compreendo quando ouço o Professor a dizer isto. Tal como não compreendo quando vejo o Manuel Alegre a apelar ao voto numa pessoa e numa política, da qual discordou tanto nos últimos quatro anos e meio. Por que será? Mas os motivos agora não interessam para o caso e já estou a fugir ao que o Professor disse e à tal música celestial.
Pois bem, eu não vou votar no “centrão” e também recuso-me a votar na extrema-esquerda. Restam-me o CDS e os restantes “piquenos e médios partidos”. Confesso que adorava ver um novato MMS ou um também novato MEP a conseguir eleger um deputado, por que não? Mas dentro das possibilidades, votarei naquele que melhor conheço e que apresenta um programa eleitoral que me convence ser possível fazer melhor e diferente, o CDS.
Apesar de ter dado uma olhadela pelo programa eleitoral deste partido, sei que ninguém (eu incluído) anda mesmo a ler todos os programas eleitorais dos diferentes partidos. As pessoas votam pelo que os diferentes líderes defendem nas entrevistas e nos debates. Afinal é para os conhecermos e às suas ideias que existem esses mesmos debates e entrevistas. E no debate Manuela-Paulo, quem melhor convenceu o eleitorado de direita foi o líder do CDS.
“O CDS é claro onde o PSD é ambíguo, o CDS é diferente onde o PSD é parecido com o PS”. Paulo Portas proferiu esta frase logo no início do confronto e foi isto que se verificou ao longo do mesmo. A Manuela sabe muito bem o que não quer para o país. O Paulo Portas vai mais além disso. Ele pensou o país. Mesmo quem não concorde com as suas ideias, ao ouvi-lo reconhece que ele pensou a economia, as finanças, a educação, a saúde, a segurança ou a agricultura. Sabe o que não quer, mas também o que quer fazer e como o fazer. Onde é necessário aplicar dinheiro e onde se vai buscar esse mesmo dinheiro, sem endividar mais o país. E consegue explicar-nos isso. A Manuela Ferreira Leite não (vá, quanto muito “mal e porcamente”). Há um trabalho de casa feito pelo líder do CDS que nunca sequer deve ter passado pela cabeça da Manuela fazer. Ela só nos diz para não dispersarmos os votos e assim se cria no PSD a ideia de que quem está farto do Pinto de Sousa tem que votar naquele partido só porque sim. Porque o PSD é que é a alternativa (de sempre e para sempre talvez).
Professor Marcelo e Dra. Manuela, por mais que vos possa custar, quem vai votar CDS quer mesmo votar CDS! Se querem que eu (e os portugueses em geral) vote no PSD, façam por isso. Não andem é a dizer ao eleitorado do CDS que o seu voto não é útil, que é música celestial e que só se pode votar PSD. Dêem-me uma verdadeira mudança de pessoas e políticas e talvez já considere útil votar PSD. Não me dêem é um António Preto, um Pacheco Pereira ou mesmo um João de Deus Pinheiro que anda a bradar aos céus o bloco central, para continuarmos a levar com a trupe socialista em cima. Não podem querer que eu, assim, vote PSD nem que vote no PSD só porque sim, só porque este é que é o partido “do poder” e porque não há mais alternativas. Não posso aceitar isso e não posso aceitar que daqui a 100 anos se continue a discutir entre PS e PSD.
O meu voto é consciente e o meu voto útil é no CDS. Como dizia há uns tempos o Henrique Burnay para o 31 da Armada: “é o voto mais seguro contra maiorias absolutas, blocos centrais e esquerdas modernaças”.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Que Sensitivo-Psiquiatrice Tão Aguda!!

Mas eis que aparece o poeta socialista (de quem agora todos, lá pelo Rato, gostam) com a solução definitiva: “Escolham!”
Não podia estar mais de acordo consigo, meu caríssimo, mas eis a sensitivo-psiquiatrice que se apresenta agora às nossas “queridas” Ana Gomes e Elisa Ferreira: o lugar e o salário de Bruxelas já estão garantidíssimos mas era de péssimo gosto escolherem Bruxelas. O ideal, para limpar a tal imagem e para tentar lançar, com alguma credibilidade, a candidatura às respectivas autarquias, seria escolherem Sintra e o Porto. Só que aí a derrota é quase, quase, certa e depois ficam sem as autarquias e sem Bruxelas.
Elas deviam andar a rezar a todos os anjinhos para não se tocar muito nesse assunto e para a situação ficar em “banho-maria” até às eleições, por isso devem estar felicíssimas e radiantes com o ultimatum que hoje lhes lançou (agora a comunicação social deverá andar atrás delas à espera de uma resposta). Eu não podia estar mais satisfeito com o contributo que hoje deu para a qualidade democrática deste país. De certeza que muitos munícipes de Sintra e do Porto concordarão comigo. Agora não se admire se, num qualquer próximo evento socialista, as respectivas visadas (não lhes quis chamar Senhoras…principalmente à Ana Gomes) lhe virarem a cara. Mas paciência! Também não perde grande coisa!
